domingo, 20 de dezembro de 2015

LEMBRANÇAS DO MEU PAI (em companhia de José Terra e João Guarani)






      Sexta-feira passada (18/12), à tardinha, me encontrei com José Terra e João Guarani, meus filhos, no bar/restaurante Casa da Moeda (Rua da Moeda - Recife Antigo) e a conversa rolou naturalmente sobre Mestre Biu Alfaiate, meu pai, que eles conheceram, muito bem em convívio na casa 1710 da Praça da Luz, no centro de Palmares, onde vivemos todos, em tempos diversos, na companhia dele e de Mãe Carminha.  Era dia do seu aniversário - se estivesse vivo completaria 85 anos -, e véspera do aniversário de José Terra.  Meu pai era avô e foi meio-pai deles, crianças e adolescentes.  José Terra e João Guarani viveram em Palmares, com os meus pais, até os 17, 18 anos...E vieram, depois, morar comigo, no Recife, vendo também com a mãe, Solange, em Olinda.  

      As minhas e as lembranças deles sobre os meus pais são sempre boas.  Pai Biu, como eles chamam, deixou marcas e referências positivas na vida deles, em Palmares, e eles têm o prazer de lembrá-lo como podemos lembrar um velho amigo. Lamentamos, é claro, a aventura infeliz que foi o seu desperdício do dinheiro ganho com o Talão da Fortuna, do Governo de Pernambuco (bem antes do nascimento deles), a pouca condição do meu pai crescer profissionalmente, embora muito respeitado, e a sua dedicação a todos os que viviam na casa 1710 da Praça da Luz - mulher, filhos, filhas e netos.  José Terra e João Guarani lembram muito bem, e sempre, o seu amor pelo futebol, a sua admiração pelo Náutico (os dois são hoje torcedores dos Aflitos até a Arena Pernambuco), o seu jeito de amar e "brigar" por Porto Calvo (onde nasceu) e Alagoas...

     Entre outros acontecimentos relevantes dele na minha lembrança, faço questão de destacar o seu jeito de cantar bem, à moda de Nelson Gonçalves, sambas e boleros que eu não esqueço, e se ainda os escuto hoje é por causa dele, e um comportamento elegante, de marcante personalidade, diante da figura da Mulher (de qualquer mulher), que me serviu de exemplo, desde a minha adolescência : mulherengo como ele era, quem o conheceu em Palmares sabe disso, ele provava o quanto era também Mestre na vida, quando, em conversa com amigos (e a maioria dos homens, juntos, tem sempre o gosto metido a besta de contar vantagens sobre as mulheres, em namoros, conquistas, aventuras), enquanto um e outro contava suas pegações e exibições do donjuanismo caboclo de cada geração, pude constatar que o meu pai não dizia nada sobre mulheres.  Não se referia a nada que pudesse ter acontecido entre ele e alguma mulher, da boca dele não saía o nome de qualquer mulher com quem ele teve ou tinha alguma relação.  Na verdade, quando a conversa era sobre mulher, ele, ou mudava de assunto ou silenciava.  O homem era um mistério inabalável e, nessa matéria, ganhava para qualquer mineiro...  Quando lembro esse comportamento do meu pai, que é raríssimo no homem brasileiro, penso logo nestes versos que escrevi, certo dia - "melhor que morrer é viver / ter seu mistério / ter sua linha..."  Um homem que se comporta assim, diante da Mulher, me orienta sempre na vida e faz dele o meu modelo de herói.  - JUAREIZ CORREYA

(Recife, 20 de dezembro/2015) 

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Do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

FESTA NA VÉSPERA DO DIA 8 DE "NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO" (PALMARES, PE)





PRAÇA DA LUZ
 (CENTRO - PALMARES - PE) 
Na calçada da casa (1710), onde a gente morava, 
sentada ao meu lado,  está a minha mãe (Carminha) 
e, de pé, camisa aberta, boné, o meu pai (Mestre Biu Alfaiate). 
Meu irmão Jamilton pode ser visto à minha direita, 
também sentado, com a filha Isolda ao colo; e, por trás dele, 
nosso amigo Valter Portela.  
A foto é de Givanilton Mendes (dezembro, 1984) 



Lembrança viva, nesta noite de hoje, de noites como a desta data, não muito distantes, em Palmares : eu me reunia, na Praça da Luz, centro da cidade, com os meus pais, meu irmão Jamilton, minhas irmãs Marinalva, Marinalda e Marly, minha companheira, os filhos pequenos José Terra e João Guarani, alguns amigos e suas companheiras, com comidas e bebidas, como se fosse motivo para festa (estávamos mesmo no dia da véspera da maior festa católica da cidade, a Festa do Dia 8 de Nossa Senhora da Conceição dos Montes), para lembrar uma noite igual a esta  em que fomos presos - eu, Jamilton, baleado no pé, na rua da Aurora, perto de casa. e Givanilton Mendes, amigo, fotógrafo e pai de família respeitado, mas preso arbitrariamente pela polícia civil do Estado quando participava de uma pequena confraternização, com os seus amigos, em um bar no Cantochão, à entrada da cidade... 

Havia motivo para fazer festa ? Muito mais do que a maior festa da cidade, no dia 8 de dezembro. Se não me falha a memória, na noite do dia 7 de dezembro de 1979, fomos presos em Palmares, levados para o DOPS, no Recife, e, depois de 3 dias dessa prisão arbritrária, "sem culpa nenhuma no cartório",  fomos libertados numa noite de segunda-feira (já era um 11 de dezembro), para reencontrar, em casa, na Praça da Luz, familiares, vizinhos, amigos e amigas. 
A liberdade é sempre motivo de festa. E essa festa é melhor ainda quando a liberdade vence a injustiça.  Esse era o motivo da nossa lembrança e da nossa festa, que durou vários anos, na calçada da casa dos meus pais, na Praça da Luz, centro de Palmares.  E que só acabou por causa do "encantamento" do nosso amigo Givanilton Mendes, quando ele  ainda era responsável pela Coordenadoria de Documentação da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho... 
(JUAREIZ CORREYA) 

sábado, 5 de dezembro de 2015

AMERICANTO AMAR AMÉRICA : Segunda edição do poema-título em livro lançado no Recife (1982)






AMERICANTO AMAR AMÉRICA
(capa), de Juareiz Correya. 



A segunda edição do poema Americanto Amar América  foi lançada no Recife (PE), no ano de 1982, pela Nordestal Editora.  A capa é do artista plástico pernambucano Sílvio Malinconico, com fotografia. também na contracapa, da universitária (UFPE) paulista Sílvia Helena Levy e posfácio de Jaci Bezerra. Composição de textos por Maria do Carmo Oliveira, em forma composer, com arte-final de Jerônimo Netto e supervisão gráfica de Ednaldo Gomes de Melo, Amarino Martins, Arnaldo Tobias e Sílvio Bentzen.  Impressão e acabamento na Gráfica da Editora Massangana / Fundação Joaquim Nabuco, Recife, PE.  Livro de 80 páginas, formato 14 x 21 cms., em tiragem de 1.000 exemplares.  

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NOTA DA EDIÇÃO SOBRE "OUTROS POEMAS" : 
Juareiz Correya publicou, em 1975, o livreto Americanto Amar América & 
Outros Poemas, 24 páginas, impresso em tipografia (Gráfica Garcia, Catende, PE). 
O volume reunia o "Americanto" e estes outros poemas : "Oração de Narciso", 
(sem título), "Cantiga ao redor do teu seio",  "Toma (Cântico para Joelina"), 
"Poema para Léa",  "Canção para meninas" e "Uma fazenda no Éden ?". 
Excetuando "Pluft", "Ponte sobre águas turvas", "Do desamor berrante", 
"Canção" e "Passagem na ponte", que foram incluídos na micro-antologia 
Recity Recife. publicada pela Casa da Cultura de Pernambuco, em 1976, 
os outros poemas que completam esta parte da edição, são inéditos em livro. 

"Poema para Léa" foi musicado e gravado por Paulo Diniz (LP "Estradas", 
Emi-Odeon, Rio, 1977), com arranjos de João Donato, e gravado por 
Wanderlea (LP "Vamos que eu já vou",  Emi-Odeon, Rio, 1977) 
com arranjos de Egberto Gismonti.

  

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

AMERICANTO AMAR AMÉRICA : UM POEMA DE 40 ANOS









AMERICANTO AMAR
AMÉRICA (capa) 



AMERICANTO AMAR 
AMÉRICA 
(contracapa) 



AMERICANTO AMAR AMÉRICA & OUTROS POEMAS, de Juhareiz Korreya  
(capa e contracapa)  
- Nordestal Editora, Recife, maio, 1975.  Livreto, 24 páginas, formato 11,30 x 21 cm., composto e impresso em tipografia, na Gráfica Garcia, de Catendem PE.  Capa/fotografia : Givanilton Mendes. Contracapa : Texto de Pelópidas Soares. Tiragem : 1.000 exemplares 


Estes são os dados técnicos da primeira edição do meu poema AMERICANTO AMAR AMÉRICA, lançado em livreto produzido no ano de 1975.  Neste ano de 2015 o poema completa a bela idade adulta de 40 anos de publicação. O poema é parte essencial da minha vida mas já tem vida própria, tem a sua história.  Iniciamos, a partir desta postagem, alguns registros necessários para que os leitores conheçam a biografia deste poema, a partir dos  tempos heróicos da produção tipográfica até os dias de hoje, quando já mereceu uma produção eletrônica, neste ano de 2015, acessível em ebook lançado na Panamerica Livraria (http://www.panamericalivraria.com.br)
- Juareiz Correya 

domingo, 22 de novembro de 2015

"MÃE CARMINHA" DA PRAÇA DA LUZ (PALMARES)





"Mãe Carminha" e  o autor, seu primeiro filho. 
No canto direito da foto, Marinalda (perfil),  
 a terceira filha; e, em segundo plano, aparecem
 Gustavo, à esquerda, filho de Marinalda,
 e Mayara, de costas, filha de Marly, a irmã 
mais nova do autor. 



     Nascida no ano de 1924, neste mês de novembro, se estivesse viva, Maria do Carmo Barbosa Correia (nossa MÃE CARMINHA) completaria 91 anos de idade.  Veio ao mundo no Sítio Abreu, do distrito de Santo Antonio das Trempes (hoje, Santo Antonio dos Palmares).  Era filha de Pai Dedé (José) e de Mãe Lica (Olímpia), irmã de uns 10 irmãos e irmãs também nascidos no Sítio Abreu.  

    A jovem Carminha foi morar na cidade, no centro de Palmares, onde, pouco tempo depois, namorou, noivou e casou com o alfaiate alagoano (de Porto Calvo) José Benedito Correia, que trabalhava na Alfaiataria Santos, cujo proprietário - Oscar Santos -, chegou a ser vice-prefeito do município dos Palmares.   

     Sou o primeiro filho do casamento do alfaiate alagoano com a camponesa pernambucana, nascido, um ano depois, em setembro de 1951. No ano seguinte, também em setembro, nasceu  a minha irmã Maria Maura, advogada, funcionária pública estadual  (mãe e avó que vive há algum tempo em São Paulo); em seguida nasceu o meu irmão, Jamilton Correia, artista plástico, publicitário  (pai e avô, vive atualmente em Caruaru); e nasceram também as minhas irmãs Marinalva, costureira, aposentada (mãe e avó), Marinalda, funcionária pública municipal (mãe e avó) e Marly, professora, artesã (mãe), todas vivendo ainda hoje em Palmares. 

     Nossa MÃE CARMINHA viveu, por muitos anos, com José Benedito Correia, conhecido como Biu Alfaiate - nosso MESTRE BIU ou PAI BIU -, na casa 1710, da Praça da Luz, centro de Palmares, junto com filhos e netos. "Uma casa pequena do tamanho do mundo" era a casa dela.  Quem a conhecia e conhecia a casa sabe disto.  

     MÃE CARMINHA faleceu, em novembro de 1999, aos 75 anos de idade, 6 meses após o falecimento do seu marido e nosso pai.  -  Juareiz Correya  

     (Boa Vista, Recife, 22/novembro/2015). 

sábado, 3 de outubro de 2015

MARIA DE LOURDES HORTAS







MARIA DE LOURDES HORTAS  




Não é o olhar verdeazul do seu mar  
Nem é o olhar castanho da sua terra 


A poetisa vê a Vida  
Com os seus olhos de poema  



JUAREIZ CORREYA 

(Recife, 2/outubro/2015) 




sábado, 12 de setembro de 2015

PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS : "O ERRO DA PALAVRA CERTA"





     O escritor era tão perfeccionista que jamais publicou, em sua vida de 79 anos, uma única página que escreveu.   

     Todos os dias ele revisava retocava emendava suprimia refazia jogava fora capítulos, trechos, parágrafos, frases, falas, estrofes, versos, palavras e até sílabas que não o satisfaziam e permaneceram para sempre inéditas e impublicáveis em sua busca insana pela criação perfeita.    






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Do ebook inédito  
PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS, 
a ser lançado, neste mês de setembro, 
na Panamerica Livraria  
(http://www.panamericalivraria.com.br) 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

HERMILO E O MEU CORAÇÃO





     Ontem, no final da tarde, fui ao consultório do meu cardiologista.  Ele me acompanha e orienta o meu tratamento desde o enfarte que sofri em junho do ano 2000.  Me recebeu com a boa vontade de sempre, o mesmo bom humor e tratamento fraterno.  E foi logo me repreendendo :

     - Que sumiço foi esse ?  Você esteve aqui em 2012 !...   É muito tempo, meu amigo...

     Me desculpei como pude mas valeu a advertência, reforçada quando nos despedimos e ele voltou a me cobrar, pedindo que me consultasse, com ele, pelo menos uma vez por ano. Assumi meu erro e prometi me corrigir.  

     No mais, tudo certo : com os exames à mão, me deu um novo parecer cardiológico, informando, para a minha segurança, que o meu coração está bem, e que eu devo seguir com os mesmos cuidados que tenho com a medicação, a alimentação e vivendo do meu jeito a vida renascida há 15 anos.  

     Me deu até vontade de tomar um porre (não bebo álcool há uns 5 anos...) quando saí do consultório do meu jovem amigo Hermilo Borba Griz, neto que reconhece, respeita e incentiva a minha admiração pelo seu avô, o escritor Hermilo Borba Filho.  E que demonstrou ainda mais satisfação quando lhe dei notícia sobre o que estamos projetando para o Centenário de Hermilo em 2017.  Temos coração para isso.   (JUAREIZ CORREYA) 



(Recife, Boa Vista / 30 de julho 2015) 

terça-feira, 30 de junho de 2015

HERMILO BORBA FILHO : Faltam dois anos para Um Século !






     Neste mês de julho / 2015, o escritor pernambucano Hermilo Borba Filho, nascido em Palmares, no dia 8 de julho / 1917, completa o seu 98o. aniversário de nascimento. Faleceu no Recife, em junho de 1976, e, em sua homenagem,  a sua cidade natal criou a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho (1983) e o Recife criou o Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo - Hermilo (1988).  

     Escritor  fecundo, de projeção nacional e internacional, publicou mais de 30 livros (estudos, biografias, ensaios, teatro, romances, contos, novelas), deixou ainda alguns títulos inéditos prontos para publicação e uma expressiva produção jornalística dispersa em jornais e revistas do seu tempo.  

     Em Pernambuco, Palmares e o Recife devem realizar um amplo projeto editorial e cultural - publicação  e reedição de livros, do escritor e sobre o escritor, palestras, debates, concursos,  exposições artísticas, montagens teatrais, exibições vídeo-cinematográficas - que evidenciam a sua importância histórica para a Literatura e a Cultura do Estado, no ano de 2017, em homenagem ao Centenário de Nascimento de Hermilo Borba Filho.  

(Juareiz Correya) 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS : "O DUBLÊ"







Era sempre o outro nas cenas de real perigo. Morria algumas vezes nos filmes. 

Um dia atirou na própria cabeça. Saiu de cena. Era ele mesmo. 






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Do ebook inédito 
PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS
(a ser lançado em setembro / 2015)

segunda-feira, 8 de junho de 2015

POETAS DOS PALMARES : livro eletrônico em homenagem ao Escritor e à Fundação Hermilo Borba Filho





Projeto da capa da edição eletrônica 
da antologia POETAS DOS PALMARES 
(Fotos de Jaudiano Santos / 
Arte de João Guarani) 



     A edição eletrônica da antologia POETAS DOS PALMARES está reprogramada para lançamento no próximo mês de julho, em homenagem aos aniversários do Escritor patrono (98 anos) e da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho (32 anos).  Revista e aumentada, a 4a. edição da antologia POETAS DOS PALMARES, organizada por Juareiz Correya, com introdução de Hermilo Borba Filho, será lançada pelo selo editorial Ebooks Panamerica, da Panamerica Nordestal Editora  (Recife, PE).  Em um arquivo de quase 600 páginas, o ebook apresentará todos os textos publicados na terceira edição impressa, do ano de 2002, e contará com o acréscimo de uma quarta parte (Palmares 2000 / 2015), onde serão apresentados textos de mais 40 novos e novíssimos poetas da cidade.  

     A editora convidou a Prefeitura Municipal dos Palmares e a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho - que foram responsáveis pelas duas edições impressas mais recentes, a de 1987 e a de 2002 - para realização de uma distribuição promocional especial de 500 ebooks : a Panamerica Nordestal Editora encaminhará os ebooks, diretamente, por email, a partir do lançamento oficial em Palmares, a internautas / assinantes palmarenses indicados em uma lista fornecida pela PMP / FCCHBF; e desse modo será promovido também um lançamento especial do ebook no Centro Apolo-Hermilo, da Prefeitura da Cidade do Recife.  Vários poetas incluídos na antologia participarão de um recital inédito nos lançamentos em Palmares e no Recife.   

     Lançado o ebook promocionalmente, ocorrerá também a sua distribuição comercial na Panamerica Livraria (http://www.panamericalivraria.com.br), loja virtual da editora, promovendo-se, na rede mundial de computadores, essa realização editorial de elevada importância para a instituição cultural palmarense, a Prefeitura Municipal dos Palmares e a cultura pernambucana.  

     No ano de 2017, o Centenário de Nascimento do Escritor Hermilo Borba Filho será comemorado, em Pernambuco, com lançamentos de livros de sua autoria, de publicações sobre a sua vida e a sua obra, palestras, concursos de redação, ensaios e reportagens, produções de vídeos e cinema, montagens teatrais de sua dramaturgia publicada. 

sábado, 9 de maio de 2015

MAIO DE 2015 : 120o. ANIVERSÁRIO DE NASCIMENTO DO POETA ASCENSO FERREIRA






ASCENSO FERREIRA
 (Recife, PE, década de 1940)



     O poeta pernambucano Ascenso Ferreira, neste dia 9 de maio de 2015, completa o seu 120o. Aniversário de Nascimento e está mais vivo do que nunca, no seu Estado, sobretudo no Recife e em Palmares, sua cidade natal.  Ele se encantou há exatos 50 anos (maio de 1965). e ficou na sua terra, no Nordeste Brasileiro, fazendo milagres com a sua telúrica poesia.    

      Na capital pernambucana, o SESC Santa Rita, com o seu produtivo Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira, promove, hoje, na Livraria Cultura (Paço da Alfândega, Recife Antigo), às 19 horas, o evento CELEBRANDO ASCENSO, com o lançamento da revista online "Ascenso, minha língua", que divulgará conteúdos sobre o poeta, além de artigos que abordam a Literatura, quadrinhos, cinema e arte pernambucana e brasileira.  Em seguida, três premiados escritores pernambucanos - Everardo Norões, Débora Ferraz e Samarone Lima, mediados pelo jornalista Felipe Torres - vão conversar sobre o homenageado, seu legado e o atual momento literário brasileiro.   

      Em Palmares, sua cidade natal, Ascenso Ferreira será homenageado, neste dia dos seus 120 anos de poesia, com a criação da Academia Palmarense de Letras, e a posse dos acadêmicos-fundadores, em cerimônia no Teatro Cinema Apolo, no centro da cidade, presidida especialmente pelo Dr. Marcelino Granja, Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco.  A Academia Palmarense de Letras já está se mobilizando para preservar, restaurar e conquistar, junto à Prefeitura Municipal dos Palmares, a doação da antiga casa onde o poeta Ascenso Ferreira viveu a sua juventude (hoje em ruínas), localizada em área central da cidade, para ser transformada na Casa do Poeta Ascenso Ferreira - sede da Academia Palmarense de Letras.   

      Em tempo : de acordo com a professora e poetisa Socorro Duran, uma incansável pesquisadora e divulgadora da vida e da obra de Ascenso Ferreira, a Prefeitura Municipal dos Palmares, a partir de hoje, tem Lei Municipal que registra o Dia 9 de Maio como DIA DE ASCENSO (um incentivo oficial para que todos os educandários locais dediquem estudos específicos  ao mais importante poeta da sua terra).  

     E, ainda neste mês de maio (quinta-feira, dia 14), no lançamento do ENCONTRO DE POESIA NO GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA (Recife, Pernambuco), onde se apresentarão, mensalmente, poetas contemporâneos pernambucanos, brasileiros e portugueses, a entidade luso-brasileira vai homenagear também, o poeta pernambucano, ao lado da poetisa portuguesa Maria Tereza Horta.   

      Considerado um dos poetas mais originais do Modernismo Brasileiro, com o lançamento do seu primeiro livro de poesia - Catimbó -, Ascenso Ferreira tem mantido em relevo, no cenário cultural do nosso País, desde a década de 1920, a poesia moderna do Nordeste Brasileiro. 
      
       (Texto de Juareiz Correya) 

sábado, 25 de abril de 2015

PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS : "UMA BOA IDEIA !"





     Encontro, na Comissão do Centenário de Paulo Cavalcanti, reunida na CEPE, o amigo livreiro Tarcísio Pereira, figura lendária dos tempos da Livro 7, a sua livraria na Rua 7 de Setembro, centro do Recife.  Ele integra a Comissão, formada por outras boas figuras recifenses, a exemplo da Dra. Magnólia Cavalcanti, filha do homenageado (só para citar outro nome, entre uma dezena de nomes destacados do meio cultural pernambucano).  Com o andamento dos trabalhos, entre outros projetos, o presidente da CEPE, jornalista Ricardo Leitão, me apresentou como idealizador de um,  que será desenvolvido no portal da Editora, destacando importantes personalidades pernambucanas - um arquivo de CENTENÁRIOS DE PERNAMBUCO -, a exemplo de Paulo Cavalcanti, Naíde Teodósio, Pelópidas Silveira e Celina de Holanda, com os seus centenários de nascimento comemorados neste ano de 2015.

     Imediatamente, me encarando e meio sorridente, Tarcísio Pereira deu a sua opinião :

     - A ideia é tão boa que parece que é minha.

     Alguns acharam engraçado mas poucos entenderam o espirituoso livreiro.

     É que Tarcísio Pereira, do fundo do baú das suas lembranças, me devolvia - num tempo corrido de mais de 30 anos depois - gozando com a minha cara, usando as mesmas palavras, a mesma frase que eu havia dito a ele, de forma irreverente, na distante década de 1980, quando o livreiro, todo animado, me apresentou uma ideia que tinha para desenvolver e projetar com sucesso ainda maior a sua Livro 7.  Ouvi, com a atenção que o amigo merecia, aquele pedaço de sonho dele, e lhe disse, em cima da bucha, como um ascensiano e hermiliano palmarense :

     - Isso é muito bom, Tarcísio, muito bom. A ideia é tão boa que parece que é minha !

     Ele sorriu meio sem graça.  Mas, guardou bem  a minha frase, agora valorizada como uma boa cachaça.

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Do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS, 
de Juareiz Correya, a ser lançado em breve 
pela Panamerica Nordestal Editora e Produções Culturais 
(Recife, PE) 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

UM GOLPE NA MEMÓRIA (Palmares, abril de 1964)





À memória de Gregório Bezerra, 
o "agitador comunista" perseguido. 



Em um horizonte perdido na rua, 
a alguns metros da Praça 
onde a gente estava
 - um pequeno grupo de garotos -, 
soldados cercaram uma casa 
e se posicionaram contra todas as pessoas que transitavam  
e engatilharam seus fuzis e metralhadoras  
numa operação de guerra  
para prender um único "agitador comunista" 
que ameaçava a Ordem deles. 
De repente, sem Progresso nenhum, 
o horizonte ficou fardado de verde 
tapando e inutilizando o sol da tarde  
(como um prisioneiro sequestrado) 
e a alegria dos nossos olhos infantis.    

E naquele dia 
a Praça já não era mais "da Luz" 
o perseguido não foi encontrado 
o Exército não era de nada  
Palmares nunca foi uma Moscou 
e aquela quartelada de Primeiro de Abril 
- uma mentira que poderia não existir mais no Dia 2 -, 
sem ter assustado a nossa infância, 
condenou nossas juventudes e futuros 
a uma longa noite de terror : 
o tempo que a Ditadura Militar criou ! 




JUAREIZ CORREYA 

(Recife, 1 de abril de 2015)
  

domingo, 22 de março de 2015

"PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS" : O ANALFABETO E A BUROCRACIA






     O ofício - na verdade, um bilhete garranchado de 5 linhas quase indecifráveis -, assim que chegou ao birou de MM de Melo, secretário de cultura da cidade, foi despachado, para providências do Departamento de Praças e Jardins.  

     Quase 3 meses depois, o bilhete de Amaro do Coco, transformado em um documento  com mais 7 folhas de comunicações digitadas e carimbadas e assinadas por competentes funcionários de diversos setores da Prefeitura, voltou ao birou de MM de Melo.  Tinha tudo quanto era autorização, menos providência.  O secretário MM de Melo devia assinar aquele protocolo de novo para que Amaro do Coco pudesse instalar sua barraca na Praça do Largo da Paz, no bairro de Afogados.  

     MM de Melo não escondeu a indignação com uma sonora "que merda é essa ?!!!" diante daquela papelada . Uma "papelada" da Prefeitura, reconhecia.  Pediu um carro oficial e foi na  mesma hora à Praça do Largo  da Paz para dar, pessoalmente, providência ao pedido do vendedor...

    Na Praça do Largo da Paz já havia uma barraca de cocos e o secretário de cultura foi diretamente para lá, pediu um coco, foi bem servido, bebeu uns goles, puxou conversa.  

     Era a barraca de Amaro do Coco, que atendia a um e a outro com uma desenvoltura de quem parecia até ser dono da Praça.

     O secretário de cultura  perguntou ao vendedor se era ele quem tinha enviado um pedido para a Prefeitura do Recife para instalar aquela barraca.  Amaro do Coco, meio sorridente, disse que sim, e acrescentou logo : estava ali desde o dia em que um amigo preparou o pedido e colocou no Correio para a Prefeitura.  Sabia que a Prefeitura ia demorar...  


     O secretário de cultura MM de Melo voltou com o seu inútil documento debaixo do braço. Não sabia ainda se ia arquivá-lo ou jogá-lo no lixo.  



JUAREIZ CORREYA
( Conto do ebook inédito 
"Pequenas Histórias Pequenas")  

quarta-feira, 18 de março de 2015

PARA OS POETAS DO RECIFE




Dedicado às vidas  
de Marconi Notaro e Marciano Lírio 



"O Recife tem mais poetas
 do que postes pra cachorro mijar", 
poetizava Marconi Notaro, 
como se a mesa do bar 
fosse uma cátedra.   
O poeta escreveu pouco 
sobre a nossa república atlântica tupi-guarani
- mais poética que filosófica  -, 
que cantamos sem Música 
e pensamos sem Grécias
e estudos metidos a grandezas sem Ser.   
Em sua companhia, eu e Marciano Lírio 
e Lea Tereza Lopes e Luíza Russo e Sônia Montenegro 
bebemos mais do que comemos  
e instituímos a Liberdade  
nas mesas do Casarão 7 do Mustang do Savoy 
de qualquer bar, à luz do dia,  
como se fosse a hora  
de invadir a Cidade  
e salvá-la do Medo e da Decadência  
que a Ditadura Militar estendia sobre o País  
como uma noite de terror sem fim.   
A Poesia nos irmanava 
e alegrava os nossos corações 
repartidos em versos 
de guardanapos papéis rasgados 
cópias xerográficas panfletos folhetos 
que serviam para elevar as nossas vozes  
como se tivéssemos platéia 
uma legião de seguidores 
palcos e teatros de cantores de qualquer coisa  
e de dolarizados cachês.    
A Cidade era pobre de jornais e revistas 
e não tinha espaço nenhum 
para quem escrevia e resistia desarmado  
contra a Opressão fardada dos dias.   


Vivíamos como o País vivia  
- sem Ordem e sem Progresso  - 
e embora expulsassem os poetas 
e os que acreditavam na Poesia 
em toda a República sem Democracia e sem Povo,  
resistíamos à Morte 
da nossa geração silenciada  
e os nossos versos inúteis e perdidos  
proclamavam o nosso Direito à Vida.     




(Recife / Boa Vista, 
amanhecer do dia 18 de março/2015)


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Os Inimigos da Democracia




                         
               Dedicado ao Partido da Imprensa Golpista 
               e à Oposição Política ao Povo. 




Os Inimigos da Democracia  
Não amam o Povo. 
Se armam contra o Povo 
E marcham nas ruas sobre  o Povo. 
Não sabem o que é a vontade popular  
Desrespeitam e vetam o Voto da maioria  
E querem fazer valer à força 
A vontade cega de uma minoria vencida.   


Os Inimigos da Democracia  
Negam  as Leis os Direitos a Constituição  
E a Paz Humana da Nação.   
Querem o fim da instituição do Governo 
E a ascensão do Desgoverno  
Que assalta sequestra viola e mata 
À luz do dia e a qualquer hora 
Tudo o que o Povo constrói 
Com o sagrado sonho nas mãos e no coração.    


Os Inimigos da Democracia 
Rasgam a Bandeira da Pátria  
Com a Ira da Desordem 
E o Desejo do Regresso 
Ao tempo de terror de golpes 
De ditaduras tirânicas  
Contra o Povo sem o Povo 
E para que o Povo não exista mais.   



JUAREIZ CORREYA 

(Recife, fevereiro de 2015) 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

ABC da Petrobras e do Pro-Álcool





O que faz um País pobre 
(Com alguma riqueza) 
A explorar  
outros países pobres vizinhos ? 
- Papel de rico explorador.     



O que faz um País pobre  
Com a própria riqueza 
Inexplorada 
Diante de países ricos ? 
- Papel de pobre a ser explorado.      




(Recife, março / 2007)