sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2017 : AINDA É TEMPO DE HOMENAGEAR O CENTENÁRIO DE CELINA DE HOLANDA








CELINA DE HOLANDA
 E AS MULHERES DA TERRA 
(contracapa e capa do CD) 


     No primeiro trimestre de 2017, o Recife vai continuar homenageando, com o lançamento do CD CELINA DE HOLANDA E AS MULHERES DA TERRA, o Centenário de Nascimento da poetisa cabense (Junho 1915 - 2015). Em um espaço cultural da cidade, será promovido um recital que contará com a participação de várias "mulheres da terra" com marcante presença no CD, gravado originalmente, no Recife, no ano 2.000 e remasterizado, em agosto deste ano, no Studio Zuada (Torrões, Recife).  
     
     Realizado em co-produção da Panamerica Nordestal Editora e Produções Culturais com a Secretaria de Cultura e a Secretaria de Educação da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, o CD reune 19 mulheres pernambucanas que emprestaram as suas vozes para servir à audição da poesia desta importante e centenária autora de Pernambuco.  Vernaide Wanderley, Myriam Brindeiro, Fátima Ferreira, Tereza Helena, Dione Barreto, Andréa Mota, Marcela Cavalcanti de Albuquerque, Maria de Lourdes Hortas, Lucila Nogueira, Eugênia Menezes e Cida Pedrosa, entre outras, são as mulheres da terra que gravaram poemas selecionados de Celina de Holanda.      

sábado, 10 de dezembro de 2016

EM DÉBITO COM O CENTENÁRIO DA POETISA CELINA DE HOLANDA






CELINA DE HOLANDA 
E AS MULHERES DA TERRA 
(Capa do CD) 




     Tudo indica que este ano de 2016 chega ao fim sem que seja resolvida a promoção do lançamento do CD CELINA DE HOLANDA E AS MULHERES DA TERRA, no Recife e ainda no Cabo de Santo Agostinho, terra natal da poetisa homenageada.  

     O CD foi parcialmente lançado na Escola Modelo Garapu, do Cabo, em agosto passado, com uma distribuição promocional de apenas 200 unidades, para convidados (professores, estudantes, funcionários municipais...) das Secretarias de Educação e de Cultura da Prefeitura Municipal, em homenagem ao Centenário de Nascimento de Celina de Holanda (1915 - 2015).  

     E o projeto do CD ficou, até agora, somente nisso.  A própria Prefeitura não teve ainda condições de realizar a distribuição promocional de mais 800 unidades do CD, deixando de sensibilizar e conquistar um público mais expressivo da terra de Celina de Holanda.  E o Recife, que tanto admira a poetisa, ainda não pôde conhecer o CD, que poderia ter sido lançado, em outubro, na FENELIVRO, onde Celina de Holanda foi tão bem homenageada.  

     Infelizmente, a Família de Celina de Holanda ainda não pôde receber as unidades do CD -  um percentual de 10% da prensagem.  Também o poeta Jorge Lopes, idealizador e produtor artístico, "não viu a cor do disco...", ainda não pôde receber o seu percentual da prensagem de 2.000 unidades do CD, gravado originalmente há mais de 15 anos...  E as 19 mulheres que gravaram os poemas selecionados ficaram impedidas de realizar o recital de lançamento, ainda neste ano, no Recife, como foi planejado pela Panamerica Nordestal Editora e Produções Culturais,  co-produtora do CD em parceria com as Secretarias de Educação e de Cultura da Prefeitura Municipal do Cabo de Santo Agostinho. 

    Entendemos que Celina de Holanda, as mulheres pernambucanas que participaram do CD, a Família da poetisa homenageada, a comunidade cultural cabense e recifense e a própria Prefeitura Municipal do Cabo de Santo Agostinho não merecem esse "desacontecimento", essa situação tão negativa e castradora que silencia e praticamente joga no lixo esse  trabalho artístico relevante para a difusão da Poesia Pernambucana.   


     JUAREIZ CORREYA  
     
     (Recife, 10 / dezembro / 2016)


     

domingo, 6 de novembro de 2016

ARTE DE AMAR E A ARTE DO AMOR







          O poema "Arte de Amar", de Manuel Bandeira, publicado há mais de 75 anos ("Lira dos Cinquent'anos" / POESIAS COMPLETAS, Rio, RJ, 1940), tem despertado, em seus leitores, até hoje, emoções, aprovações, aplausos e entusiasmadas admirações. É obra de Mestre mesmo.  Quando o conheci, nas minhas leituras desordenadas de autodidata, não senti nada disso.  Era um bom poema e nada mais do que isso.  Não me sentia bem com ele.  Me incomodava aquela sentença seca, quase desumana, dos dois versos finais...

         Transcrevo aqui o poema na íntegra  :


ARTE DE AMAR  


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. 
A alma é que estraga o amor... 
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.  
Não noutra alma. 


As almas são incomunicáveis.  


Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.  


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.    



          Esse incômodo com o poema de Manuel Bandeira me chateou por muitos anos... 

          Em incerta noite de insônia, no Jardim Atlântico, em Olinda, me levantei da cama, como um autômato, e fui direto para o pequeno escritório do apartamento a fim de ler ou escrever alguma coisa...  E já meti nas mãos um livro do poeta norte-americano Walt Whitman, publicado no Brasil com tradução de Geir Campos (Editora Brasiliense, São Paulo, SP, 1983), folheando-o, como se procurasse algo certo, até encontrar a resposta para o que me agoniava...  Lá estavam estes versos definitivos, luminosos, sequestrando a minha cegueira, saltando de dentro do poema "Canto a Mim Mesmo" : 


"Tenho dito que a alma 
não é mais do que o corpo
e tenho dito que o corpo 
não é mais do que a alma..."  


          Pronto.  Era isso, era com esses versos, que eu usaria como guia, que escreveria um poema para contestar ou apenas para acrescentar um baiano "ou não" à leitura do consagrado  "Arte de Amar", de Manuel Bandeira. 

          Não sei em que tempo depois escrevi esse pretendido contestador poema, que  enfrentariam  os versos negativos de Manuel Bandeira :  escrevi mesmo foi um poema - "Canto a Nós Mesmos",  publicado no livreto Améiica Indignada y Poemas da Alegria da Vida, Recife, PE, 1991) - que era apenas uma interpretação ou  recriação ou unicamente uma homenagem ao poema dos  versos citados de Walt Whitman.  

          A incômoda negação da Vida do poema de Manuel Bandeira continuava me perseguindo.  

          Também não me lembro quando escrevi este poema, mas acredito que acertei, que tem a medida exata para afirmar "não é nada disso, Mestre Manuel Bandeira !"  Creiam :  não é desaforo nem desafio o que eu fiz, não ousei tanto; talvez seja uma admiração pelo avesso, quem sabe uma possível releitura e  versão complementar ... ? 

          Este é o poema, publicado na segunda edição do meu ebook CORAÇÃO PORTÁTIL (Panamerica Nordestal Editora, Recife, PE, 2014) : 



A ARTE DO AMOR  


"os corpos se entendem, mas as almas não." 
(MANUEL BANDEIRA) 


deixa que o teu corpo
se entenda com o meu corpo. 
eles se entendem muito bem.   
é que antes as nossas almas 
já se entenderam também. 



(Juareiz Correya / 
 Boa Vista, Recife, novembro 2016) 

________________________________________________ 
Do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS 



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A NORMALIDADE E OS PROBLEMAS...






          Encontro, à entrada da CEPE, o gestor Davi Lima, sempre cordial e amigo.  Pergunto pelas novidades...

          - Tudo normal. - E acrescenta :  A novidade é a normalidade.  

          E lembra um amigo seu, Adailton Elias, funcionário público e filósofo :

          - Fora os problemas... está tudo bem. - Assim respondia a cada "tudo bem ?" dos que o saudavam.


          (Juareiz Correya) 



terça-feira, 4 de outubro de 2016

PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS, meu primeiro livro de contos












PEQUENAS
 HISTÓRIAS PEQUENAS  
(Capa do ebook / 
arte de João Guarani)  




     No dia em que completei 65 Setembros (19/09), enviei, como presente / lembrança, para amigos e amigas internautas mais próximos e alguns vivendo distantes de Pernambuco, o meu livro eletrônico PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS, com o qual inicio a publicação de uma tetralogia de contos inédita que escrevo e organizo desde a década de 1970.  Os próximos títulos da tetralogia são 
estes : A BIOGRAFIA DE DEUS (Pequenas Histórias do Povo da Cidade dos Palmares), PEQUENAS HISTÓRIAS DE ATLÂNTICA e PEQUENAS HISTÓRIAS AMOROSAS.   

   O ebook PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS, lançado, nos meus 65 Setembros,  exclusivamente na Panamerica Livraria (http://www.panamericalivraria.com.br) pode chegar às mãos de qualquer internauta, no Brasil e no mundo, todos sabem disso. 

      Acesse a Panamerica Livraria, visite a loja, faça o seu pedido, e receba, com alguns toques, PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS e o livro eletrônico que você quiser. É mais simples do que atravessar uma rua para ir à livraria perto da sua casa...  (Juareiz Correya) 





sábado, 17 de setembro de 2016

TODOS OS SETEMBROS (1)






60 SETEMBROS
(2011).
Capa do ebook
lançado no Recife 



     No ano de 2001, ainda vivendo em Palmares - PE (presidia a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho / Prefeitura Municipal dos Palmares), publiquei o livreto 50 SETEMBROS - microantologia poética -, com poemas do meu primeiro livro publicado, sem título, São Paulo, 1971; e, impressos em Pernambuco, poemas do folheto Um doido e a maldição da lucidez (1975), dos livretos Americanto Amar América & Outros Poemas (1975), O Amor é uma Canção Proibida (1979), América Indignada (1986) e dos livros Americanto Amar América (1982), Poetas dos Palmares (1987), Poesia Viva do Recife (1996) e Coração Portátil (1999). 

     Em 2011 publiquei o meu segundo ebook - 60 SETEMBROS -, assinalando, mais uma vez, no mês em que nasci, o meu aniversário.  Este livro eletrônico pode ser acessado na loja virtual pernambucana Panamerica Livraria - http://www.panamericalivraria.com.br   

     Preparo, há alguns anos, um novo livro de poesia para edição digital intitulado TODOS OS SETEMBROS, com poemas inéditos e também diversos poemas divulgados em blogs, e com a reunião dos impressos 50 SETEMBROS e 60 SETEMBROS.   

      Neste ano de 2016, completando 65 SETEMBROS, inicio uma nova fase do meu trabalho literário com a publicação de uma inédita tetralogia de contos.  PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS é o primeiro ebook desta tetralogia. Lançamento especial, próxima semana, na Panamerica Livraria (http://www.panamericalivraria.com.br) 



domingo, 24 de julho de 2016

"DOMINGO COM POESIA" : 5 ANOS FESTEJANDO A PALAVRA POÉTICA






Banner da Revista  
DOMINGO COM POESIA 
(Julho, 2016) 



     Antes identificada como blog, a publicação eletrônica DOMINGO COM POESIA (http://www.domingocompoesia.com.br), nos dois últimos anos, tem se firmado como uma notável revista literária, notadamente como espaço aberto e democrático para a divulgação da Poesia na Internet.  Tinha de ser assim mesmo essa publicação dirigida pelos poetas pernambucanos Natanael Lima Jr. e Frederico Spencer.  Com sensibilidade acesa e sempre atenta  para a vida literária e cultural de Pernambuco e do Nordeste brasileiro, os editores oferecem, semanalmente, todos os domingos (à moda dos antigos suplementos literários dos grandes jornais diários...), uma seleção de textos inéditos e publicados de autores novos, emergentes, de outros com alguma projeção estadual e regional e promove, com o devido destaque (ou reverência), a criação de expressivos nomes da poesia brasileira de todos os tempos.  

          E é muito louvável o acolhedor gesto amigo da revista eletrônica DOMINGO COM POESIA, mantendo, em um espaço especial, uma lista de blogs parceiros de vários Estados, numa divulgação permanente, a um click de qualquer internauta, que evidencia sua solidariedade e incentivo dedicado ao trabalho tão pouco incentivado de blogueiros literários e culturais do nosso Estado, da nossa Região e do nosso País.   

          É assim que bem se faz a divulgação da palavra mais humana da existência, com carinho e respeito à palavra poética, em particular, com uma dedicação que só os poetas verdadeiros têm.  A revista eletrônica DOMINGO COM POESIA, neste mês de julho/2016, completa 5 ANOS DE ATUAÇÃO NA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES.  Tem de tudo para festejar, nos próximos anos, uma duas três décadas de sucesso na Internet ! 

          (Juareiz Correya  /  ABLNE - Associação de Blogs Literários do Nordeste) 

domingo, 17 de julho de 2016

EM BUSCA DE "A ALEGRIA DO DIA DO NÃO !"






Logomarca da campanha do NÃO, 
no plebiscito chileno realizado em 1988



     Na década de 1980, chilenos exilados em Pernambuco criaram, no Recife, a Associação Brasil-Chile de Amizade, que editava, mensalmente, o Informativo LA VOZ DE CHILE.  A Associação organizava também encontros culturais, exposições de arte, shows e recitais de poesia.  Participei de algumas atividades da Brasil-Chile de Amizade, ao lado do poeta argentino Hector Pellizzi, com quem realizei alguns projetos literários, nesse tempo, no Recife.  

     A campanha do DIA DO NÃO, no Chile, sensibilizou e mobilizou também brasileiros que se idcntificaram, no nosso País, com a luta do povo chileno pela redemocratização naquela década.  O DIA DO NÃO, vitorioso, iniciou o processo de redemocratização da Pátria de Pablo Neruda e Salvador Allende.   

     Lembro que publiquei, no Informativo LA VOZ DE CHILE, da Associação Brasil-Chile de Amizade, no mês da realização do plebiscito, em 1988, o poema A Alegria do Dia do Não.  Perdi o exemplar do Informativo, o original do poema, e preciso resgatar esse texto para incluí-lo no livro TODOS OS SETEMBROS, a ser lançado no próximo ano de 2017.   

     Por isto, peço a quem puder encaminhar o exemplar desse Informativo, ou uma cópia xerográfica do poema, que envie para este endereço : jcpanamerica21@gmail.com 
ou ligue 81-986852194 

    PAGO 100 REAIS PELO EXEMPLAR DO INFORMATIVO OU CÓPIA DO POEMA 
E PRESENTEIO 5 LIVROS IMPRESSOS E ELETRÔNICOS DE NOSSA AUTORIA E DE OUTROS AUTORES PERNAMBUCANOS.   

(Juareiz Correya) 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

DESORDEM E REGRESSO








O desgoverno de Judas Temer  
é a própria instituição da mentira 
em tudo o que diz e faz : 


Rasga e usa a bandeira do País
com um slogan ditatorial 
de "Ordem e Progresso", 
e, todos os dias, o Brasil, 
sem Constituição Direitos e Poderes 
vê crescer uma desumana Desordem  
e os descaminhos do Atraso e do Regresso. 

   

Juareiz Correya 

(Boa Vista, Recife / 
9 de julho de 2016) 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

POEMA PARA O POVO BRASILEIRO






Há muito tempo desafino no coro dos contentes  
Ando de peito aberto pela contramão 
Meus pesadelos são os sonhos de homens inúteis  
E meus sonhos são impublicáveis   


Há muito tempo minha televisão é global e não presta  
Jornais e rádios da mal dita Grande Imprensa  
Transformam o Povo em ninguém e o Brasil em um país de merda  
A Ordem é uma mentira burocrática  
E o Progresso só pertence a 1% da população brasileira    


Mas cantamos sem contar com outras vozes 
Caminhamos sobre todos os atropelos e desastres 
Pesadelos não nos assustam 
Os nossos sonhos são publicados todos os dias na Internet  
Para corações e mentes de todo mundo 
Criamos outras telas e nossas notícias são vivas de Esperança  
O Povo existe e diz SIM 
Ao País que amamos em seu Futuro de Grandeza  
E mesmo  que burocratas políticos semvergonha e entreguistas vendidos  
Corrompam por um punhado de dólares e sujem e rasguem as bandeiras da nossa Pátria  
Erguemos nossos fachos de luz contra a Escuridão o Medo e a Miséria  
Que a Democracia Brasileira vencerá !  

  

JUAREIZ CORREYA
(Recife / Boa Vista, 30 de maio/2016)

sábado, 21 de maio de 2016

GERAÇÃO 65, JACI BEZERRA E A "EDIÇÕES PIRATA" QUE VAI COMPLETAR 40 ANOS ! (2)






Juareiz Correya e Jaci Bezerra 
(em um bar do Derby, Recife, 2004).
Foto de João Guarani   



    Empreendido por iniciativa dos poetas Jaci Bezerra e Alberto da Cunha Melo, o projeto editorial alternativo da "Edições Pirata" contou, inicialmente, com uma equipe de primeira grandeza : "Eugênia Menezes, Maria do Carmo Oliveira, Nilza Lisboa, Andréa Mota Silveira, Myriam Brindeiro, Amarino Martins de Oliveira, Ednaldo Gomes de Melo, Jadson de Lima Bezerra, Vernaide Wanderley, Alberto Vasconcelos, Moacyr Sena Dantas, Josenildo Freire, Celina de Holanda, Daniele Perin, além de piratas-eventuais, é a equipe que trabalha das 18 às 24 horas, suando depois do expediente." (Revista POESIA, Número 6, Recife, PE, Janeiro/Fevereiro, 1981) 

    Foi um empreendimento editorial alternativo, em tempos difíceis de produção e divulgação literária, provando que os escritores brasileiros, sobretudo os mais jovens e inéditos, tinham condições de  produzir o seu próprio livro, como revela, de forma afirmativa, o escritor e editor Jaci Bezerra  :  "Não interessa à Pirata o choro e as lamentações dos que ficam rondando, originais debaixo do braço, os muros das editoras e das instituições oficiais.  Nem interessa à Pirata, enquanto literatura em movimento, as afirmações dos que dizem que bom mesmo é ser publicado, em policromia, pelas editoras do sul-maravilha. A Pirata se propõe, de fato, a ser uma alternativa editorial para os escritores brasileiros, como forma de resistência cultural independente, e independente de sectarismo e gerações." (Revista POESIA, Número 6, Recife, PE, Janeiro/Fevereiro, 1981) 

     Sediada no Recife (PE), a "Edições Pirata" lançou, sem estrutura empresarial ou comercial, mais de 300 títulos de escritores de vários estados brasileiros, promovendo verdadeiras festas com os seus lançamentos "coletivos". Todos participavam e todos brilhavam.   

  Esses livros - muitos em pequenos volumes artesanais - serão resgatados, preservados e republicados em um novo projeto editorial, digital, que contará, certamente, com o apoio da Prefeitura do Recife e do Governo do Estado de Pernambuco, em 2019,  na realização da festa cultural dos 40 ANOS DA EDIÇÕES PIRATA. 

     (Juareiz Correya) 

     

sábado, 14 de maio de 2016

GERAÇÃO 65, JACI BEZERRA E A "EDIÇÕES PIRATA", QUE VAI COMPLETAR 40 ANOS !


EDIÇÕES PIRATA - GERAÇÃO 65, 
50 ANOS : Palestra de Juareiz Correya 
(Capa do DVD produzido por Carlos 
Augusto Cavalcanti, da AC Filmagens) 



     A convite das escritoras amigas Myriam Brindeiro e Eugênia Menezes, apresentei, quinta-feira, 
dia 3 / maio, às 16 horas, no espaço Cultura Nordestina Letras & Artes (Rua Luiz Guimarães, 555, Poço da Panela, Recife, PE), dirigido pela escritora Salete Rêgo Barros, a palestra "A Edições Pirata e a ação solidária do escritor Jaci Bezerra".  O encontro faz parte de um projeto sobre os "50 ANOS DA GERAÇÃO 65", coordenado pelas escritoras amigas, documentando depoimentos de várias pessoas da vida cultural do Recife que pertenceram à "Geração 65" ou tiveram alguma identificação com o grupo literário de Jaboatão-Recife.  

     Particularmente, para mim a "Geração 65" significou a minha amizade com Jaci Bezerra, um dos principais nomes do grupo de poetas assim identificado.  Na verdade, a nossa amizade se firmou desde a primeira hora em que ele iniciou, com um grupo de amigos, em sua maioria funcionários da Fundação Joaquim Nabuco, em 1979, no Recife, o projeto editorial da "Edições Pirata"; e se fortaleceu a partir do projeto editorial que empreendi, com uma pequena editora - a Nordestal -, publicando mensalmente a Revista POESIA, lançada no Recife em abril de 1980.   E, independente do tempo da vida da "Edições Pirata" (de 1979 a 1986) e da Revista POESIA (de 1980 a 1983), a nossa amizade e solidariedade promoveram ainda algumas realizações literárias, editoriais e culturais, em Pernambuco, até a primeira década deste Século 21.  

     Este foi o mote da palestra sobre a "Edições Pirata", que, em 2019 (faltam apenas 3 anos...), o Recife, com certeza, vai festejar : são 40 anos de criação de um movimento editorial, um verdadeiro acontecimento lítero-cultural de Pernambuco que, com o seu saudável e animador exemplo (publicando, em pouco tempo, mais de 300 livros, sobretudo de autores inéditos), conquistou boa parte da inteligência brasileira.   (Juareiz Correya) 




     

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A "EDIÇÕES PIRATA" E A AÇÃO SOLIDÁRIA DO ESCRITOR JACI BEZERRA (3)




PIRATAS DO BRASIL ATACAM ! 
(Revista POESIA, capa. Número 6 
- Recife, PE, Janeiro / Fevereiro, 1981)



     Neste número especial, inteiramente dedicado ao movimento editorial Edições Pirata, do Recife, a Revista POESIA, da Nordestal Editora, também recifense, realizou uma produção reconhecidamente antológica : reuniu 53 autores, lançados pela Pirata, como uma espécie de síntese de toda a produção editorial que o grupo pernambucano empreendia no Estado para espanto cultural do Brasil.  

     Na apresentação dessa edição da Revista POESIA, afirmamos : 

     "Em pouco mais de um ano de atividade, a "Edições Pirata", aqui no Recife, publicou quase uma centena de livros, incluindo em sua maioria títulos de poesia, seguidos de contos, ensaios, crônicas, novelas e desenhos.  Um número muito significativo - em que pese a pequena tiragem das obras - para uma região que sabemos de grande carência editorial. Sem preconceito, aberta a todas as tendências, a "Edições Pirata" tem publicado autores desde os oito meses até os oitenta anos de vida literária."  

     E, mais adiante, registramos : 

     "Para o poeta Jaci Bezerra, se o escritor brasileiro se despir da vaidade do desejo de ser estrela, pode produzir o seu próprio livro. Não interessa à Pirata - declara Jaci Bezerra - o choro e as lamentações dos que ficam rondando, originais debaixo do braço, os muros das editoras e das instituições oficiais. Nem interessa à Pirata, enquanto literatura em movimento, as afirmações dos que dizem que bom mesmo é ser publicado, em policromia, pelas editoras do sul-maravilha.  A Pirata se propõe, de fato, a ser uma alternativa editorial para os escritores brasileiros, como forma de resistência cultural independente, e independente de sectarismos e gerações."

     Neste antológico número 6, a Revista POESIA  publicou poemas destes autores, lançados em livros pela Edições Pirata :

     Celina de Holanda, Arnaldo Tobias, Alberto Cunha Melo, Domingos Alexandre, Almir Castro Barros, Montez Magno, Sérgio Bernardo, Janice Japiassu, Maria da Paz Ribeiro Dantas, Vanêde Nobre, Paulo Gustavo, Antonio de Campos, Maria do Carmo Barreto Campello de Mello, Severino Filgueira, Juareiz Correya, José Mário Rodrigues, José Rodrigues de Paiva, Myriam Brindeiro, Idel Marinho, Odete Vasconcelos, Orley Mesquita, Francisco Bernardes Lacerda, Raul Lody, Benedito Cunha Melo, Iracema Rodrigues, Bartyra Soares, Fernando Monteiro, Gamaliel Perruci, Gilberto Freyre, Rubem Braga, Ascension Palácios, Wilson Rocha, Taiz Fernandes, Sanderson Negreiros, Olímpio Bonald, Marcos Cordeiro, Marcelo Mário de Melo, Manuel Constantino, Lea Tereza Lopes, José Carlos Targino, Jaci Bezerra, Eduardo Diógenes, Clodomir Monteiro, Mauro Mota, Clara Angélica, Celso Mesquita, Carlos Moreira, Suzana Brindeiro, Dirceu Quintanilha, Kátia Bento, Bráulio Tavares e Ledo Ivo.  


(Texto de JUAREIZ CORREYA  / 
 Boa Vista, Recife, 02 de maio 2016) 




A "EDIÇÕES PIRATA" E A AÇÃO SOLIDÁRIA DO ESCRITOR JACI BEZERRA (2)




Lançamento coletivo da "Edições Pirata" 
no Rio de Janeiro :  autores pernambucanos 
fotografados na área externa do Museu
 de Arte Moderna - RJ 


     "Lançando com sucesso os seus livros, mesmo com circulação restrita a Pernambuco, a Pirata já estourou lá fora e somou, neste final do ano, mais um tento positivo na sua brilhante carreira : promoveu, na Fundação Nacional das Artes (FUNARTE), no Rio de Janeiro, no último dia 12 de dezembro, apresentação de todos os seus títulos lançados até hoje, numa festa pernambucarioca muito positiva, com a presença de 15 autores pernambucanos piratas", assim foi registrado o lançamento coletivo da Edições Pirata,  no Rio de Janeiro, na apresentação do número 6 da Revista POESIA (Recife, PE, Janeiro/Fevereiro, 1981), especialmente dedicado ao movimento editorial (PIRATAS DO BRASIL ATACAM).  

     A fotografia reproduzida nesta página registra, da esquerda para a direita, estes autores : em pé - Odete Vasconcelos, uma amiga do Rio, Juareiz Correya, Moacyr Sena Dantas, Paulo Gustavo, Maria de Lourdes Hortas, Sérgio Lemos, Tarcísio Pereira, Vilma, Jaci Bezerra, Suzana Brindeiro e Montez Magno; agachados - Marcos Cordeiro, Jadson Bezerra e Josenildo Freire.   

     (JUAREIZ CORREYA - Recife, PE, maio / 2016)  






domingo, 1 de maio de 2016

A "EDIÇÕES PIRATA" E A AÇÃO SOLIDÁRIA DO ESCRITOR JACI BEZERRA




Revista POESIA (capa) 
- Número 1, Recife, Abril, 1980



     VINICIUS DE MORAES É PERNAMBUCANO ? (fotografia) foi o texto destacado, na capa da Revista POESIA (Número 1), lançada no Recife em abril de 1980 pela Nordestal Editora, que destacava também, na reportagem PIRATAS INVADEM O RECIFE, a criação do movimento editorial da Edições Pirata em Pernambuco. 

     O escritor Jaci Bezerra, um dos criadores da Edições Pirata, fez de tudo (mas de tudo mesmo!) para que a Revista POESIA fosse lançada, apoiando, de forma intelectual, compartilhando informações e sugestões, social, cultural e até material - em encontros na Livro 7, Fundação Joaquim Nabuco, nos bares do Recife...  Ele se comprometeu, com a nossa amizade, nascida nesse tempo, com o nosso trabalho literário e editorial, de uma forma tão expressiva, tão marcante na trajetória das nossas vidas, que durou todo o tempo de edição da Revista POESIA (desse número 1, lançado em abril de 1980 até o número 10, que circulou em maio/1983, quando encerramos a sua produção). Foi além disso, da integração que ele e eu realizamos com as atividades da Edições Pirata e da Revista POESIA, e me acompanhou na empreitada da edição do livro POEMAS DE ASCENSO FERREIRA (1981) do meu livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA  (1982), fazendo questão de escrever o seu posfácio, me dedicando, de forma muito gratificante,  um dos melhores textos críticos já escritos sobre a minha iniciante poesia..., chegando a colaborar, pessoalmente (1983), com o projeto de criação, de nossa autoria,  da FUNDAÇÃO CASA DA CULTURA HERMILO BORBA FILHO, em Palmares, cidade natal do escritor homenageado.  Fizemos ainda outras coisas juntos, em uma parceria informal e, naturalmente,  com a nossa amizade solidária, independente da Edições Pirata e da Revista POESIA.  

(JUAREIZ CORREYA, Recife, PE, abril de 2016) 

sábado, 19 de março de 2016

PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS : MAIS UMA "LENDA DE CASA"






     Durante todos os anos em que vivi na casa dos meus pais, em Palmares (PE), tinha certo o conhecimento de que os meus avós paternos se chamavam Simplício e Francisca.  Ele seria Simplício Francisco Correia e ela Francisca Regina Correia, visto que meu pai se chamava José Benedito Correia. No mês em que o meu pai faleceu, tia  Antonia, irmã dele, ficou lá em casa, na Praça da Luz, como quem já contava com o desfecho, acompanhando tudo.  Ele vivia praticamente imobilizado em uma cama há sete anos.  Já nem falava.  Não sei se ouvia a gente direito.  Mas reagia sempre diante de alguma coisa que fosse do seu desagrado...

     Certo dia, conversando na cozinha, pedi a tia Antonia que trouxesse de Porto Calvo (AL) algum documento dos meus avós, qualquer coisa relacionada com a origem da família.  Ela me prometeu trazer cópia do registro do casamento deles.  E assim fez.  Li, junto com ela, o documento, e fiquei estarrecido :  O nome do meu avô era Simpliciano (e não Simplício) Francisco do Nascimento e o da minha avó era Francisca Regina Duarte.

     - Onde foram buscar esse Correia da gente ?

     Tia Antonia contou :

     - A história é que os dois eram analfabetos.  Naquele tempo, pouca gente sabia ler.  Nem mesmo o pessoal que trabalhava nos cartórios...  Quando meu pai se casou com a minha mãe, ele estava trabalhando no Correio, era pintor de paredes, ganhava a vida trabalhando em construções, pintando casas...   Aí ele estava trabalhando no Correio, teve o primeiro filho, foi registrar, de quem era ? - De Simplício, disseram; que Simplício, de onde ?  do Correio, filho de Simplício do Correio, aí foi fácil, Correio, ninguém se chama Correio, Correia tá certo, é a mesma coisa, pegou, pronto, ficou o sobrenome, Correia.

     Ainda bem que o meu pai já não podia mais ouvir ou entender essa história...  E dias depois ele se encantou como José Benedito Correia sem saber que, na verdade, deveria se chamar José Benedito Duarte do Nascimento !  
 (Juareiz Correya) 


sábado, 6 de fevereiro de 2016

PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS : "LENDAS DE CASA"






     Duas lendas dão origem às famílias da minha mãe (Barbosa) e do meu pai (Correia).  Sobre a família da minha mãe, ela mesma contava :

     Em terras de Pernambuco, Dinda, a minha trisavó, mãe da avó da minha mãe, era uma índia que tinha sido encontrada, recém-nascida, no meio do mato, por um cachorro, e tinha sido levada, presa nos dentes do animal, para a casa do meu tetravô. Dinda cresceu ali no sítio, como filha da casa, casou e gerou a mãe de Mãe Lica, minha avó (lembro o seu tipo indígena puro), que casou e gerou, entre outras filhas e filhos, Mãe Carminha, a minha mãe.  

     Da parte da família do meu pai, não foi ele, quem me contou a história, mas a sua irmã, tia Antonia, que ainda hoje vive em Porto Calvo (AL), onde nasceram.  Segundo tia Antonia, no interior de Alagoas - na região de Porto Calvo mesmo - chegou um pirata português, bem e mal visto pelas pessoas do lugar, e foi ficando, e engraçou-se de uma moça, se envolveu com ela, depois ele viajou e ela ficou na cidade já "em estado interessante" (sinônimo nordestino de mulher grávida...)  O pirata português sumiu, não deu mais notícia por uns seis anos - tempo em que foi devidamente amaldiçoado pela família da moça - e, certo dia, reapareceu nesse lugar.  Parece que já era comerciante.  Procurou a moça que deixara há seis anos e soube do filho dela.  Um filho que ela dizia ser seu.  Ele não teve dúvida : pediu para ver o menino e se pôs a examinar os seus pés, até verificar que um artelho-mindinho tinha a unha rachada.

     - É meu filho mesmo, concluiiu.  E casou com a mulher, a minha trisavó alagoana.

     Meu pai, ao ouvir tia Antonia contar essa história, não gostou.  Mas não tinha como contestar.  Tia Antonia dizia logo, desafiadora :

     - Mostre os pés, Biu, e a sua unha rachada...  

     Também eu tenho a unha do artelho-mindinho, do pé direito, rachada.  



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Do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

2016 : UM ANO NOVO SEMPRE NOS RENOVA







     Penso que é assim e tenho vivido com esse sentimento cada vez mais legitimado. Digo mesmo, aos que me conhecem, que tenho a sorte de abrir os olhos e ver sempre horizontes. Todos os dias. Os meses não são diferentes. Os anos confirmam tudo. E os séculos - que este Século 21 já me faz um sobrevivente do Século 20 - me dão uma senhora certeza de que estes 64 anos de vivência e sobrevivência estão valendo muito. Não esqueço também que já habitamos a Terra há dois milênios e que estamos vivendo o futuro nascido no Terceiro Milênio.  

    Agora, como diria o cronista Rubem Braga, arrumando gavetas, revendo agendas, constatando realizações e frustrações, é de novo a hora de  anotar novas idéias e projetos, refazer e redimensionar alguns sonhos, deixar no caminho o que ficou no caminho, esquecer o que não pôde ser vivido,  para seguir em frente a cada despertar. 

    Tenho, para este novo 2016, mais projetos do que Sudene  e todos os Governos.  Sonho de olhos abertos. Vamos em frente. Sei que ainda há muito o que posso fazer e o coração  vive pronto aberto  para o sentimento do mundo. Nas mãos, carrego a dor e a alegria da Poesia - a palavra mais humana da existência. 


(JUAREIZ CORREYA /
 Primeiro dia do 16o. ano do Século 21)