sábado, 25 de abril de 2015

PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS : "UMA BOA IDEIA !"





     Encontro, na Comissão do Centenário de Paulo Cavalcanti, reunida na CEPE, o amigo livreiro Tarcísio Pereira, figura lendária dos tempos da Livro 7, a sua livraria na Rua 7 de Setembro, centro do Recife.  Ele integra a Comissão, formada por outras boas figuras recifenses, a exemplo da Dra. Magnólia Cavalcanti, filha do homenageado (só para citar outro nome, entre uma dezena de nomes destacados do meio cultural pernambucano).  Com o andamento dos trabalhos, entre outros projetos, o presidente da CEPE, jornalista Ricardo Leitão, me apresentou como idealizador de um,  que será desenvolvido no portal da Editora, destacando importantes personalidades pernambucanas - um arquivo de CENTENÁRIOS DE PERNAMBUCO -, a exemplo de Paulo Cavalcanti, Naíde Teodósio, Pelópidas Silveira e Celina de Holanda, com os seus centenários de nascimento comemorados neste ano de 2015.

     Imediatamente, me encarando e meio sorridente, Tarcísio Pereira deu a sua opinião :

     - A ideia é tão boa que parece que é minha.

     Alguns acharam engraçado mas poucos entenderam o espirituoso livreiro.

     É que Tarcísio Pereira, do fundo do baú das suas lembranças, me devolvia - num tempo corrido de mais de 30 anos depois - gozando com a minha cara, usando as mesmas palavras, a mesma frase que eu havia dito a ele, de forma irreverente, na distante década de 1980, quando o livreiro, todo animado, me apresentou uma ideia que tinha para desenvolver e projetar com sucesso ainda maior a sua Livro 7.  Ouvi, com a atenção que o amigo merecia, aquele pedaço de sonho dele, e lhe disse, em cima da bucha, como um ascensiano e hermiliano palmarense :

     - Isso é muito bom, Tarcísio, muito bom. A ideia é tão boa que parece que é minha !

     Ele sorriu meio sem graça.  Mas, guardou bem  a minha frase, agora valorizada como uma boa cachaça.

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Do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS, 
de Juareiz Correya, a ser lançado em breve 
pela Panamerica Nordestal Editora e Produções Culturais 
(Recife, PE) 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

UM GOLPE NA MEMÓRIA (Palmares, abril de 1964)





À memória de Gregório Bezerra, 
o "agitador comunista" perseguido. 



Em um horizonte perdido na rua, 
a alguns metros da Praça 
onde a gente estava
 - um pequeno grupo de garotos -, 
soldados cercaram uma casa 
e se posicionaram contra todas as pessoas que transitavam  
e engatilharam seus fuzis e metralhadoras  
numa operação de guerra  
para prender um único "agitador comunista" 
que ameaçava a Ordem deles. 
De repente, sem Progresso nenhum, 
o horizonte ficou fardado de verde 
tapando e inutilizando o sol da tarde  
(como um prisioneiro sequestrado) 
e a alegria dos nossos olhos infantis.    

E naquele dia 
a Praça já não era mais "da Luz" 
o perseguido não foi encontrado 
o Exército não era de nada  
Palmares nunca foi uma Moscou 
e aquela quartelada de Primeiro de Abril 
- uma mentira que poderia não existir mais no Dia 2 -, 
sem ter assustado a nossa infância, 
condenou nossas juventudes e futuros 
a uma longa noite de terror : 
o tempo que a Ditadura Militar criou ! 




JUAREIZ CORREYA 

(Recife, 1 de abril de 2015)