sexta-feira, 23 de novembro de 2012

MEU PRIMEIRO LIVRO PUBLICADO : sem título (sem capa), anti-discursivo, hermético, experimental (2)






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      Os poemas foram escritos nas cidades paulistas  de  São Paulo (a "Sampa" de campos & espaços de Caetano Veloso) e de Santo André da Borba do Campo.  Eu tinha 19/20 anos, e o meu primeiro livro, em sacrificada edição do autor, com tiragem de 1.000 exemplares, foi pago do meu bolso com algumas economias na revisão do jornal  e publicação de uma coluna de arte no Diário do Grande ABC, de Santo André,  região metropolitana de São Paulo, onde eu morava e trabalhava. 

     Além do seu modelito neoconcreto, o livro tinha ainda outro elemento radical : as palavras não eram acentuadas  (e vejo hoje que isso, evocando um pouco a ortografia de Monteiro Lobato, era mais rico do que a tal da mal-sucedida e besta Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa, que vai morrer neste ano de 2012 !)

     Não me lembro bem como a tiragem de 1.000 exemplares desse meu livro foi distribuída e vendida  em minhas andanças por escolas de São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul e de algumas cidades do Interior de Pernambuco (quando voltei a Palmares em 1972).  E ainda tive a sorte de encontrar bons leitores para esse "produto estranho" :
jornalistas conhecidos do Diário do Grande ABC, como Dirceu Pio (publicou uma reportagem sobre o livro  no Diário do Grande ABC),  Fausto Polesi, Mário Polesi, Manoel Onofre, Hildebrando Pafundi, alunos da Fundação das Artes de São Caetano do Sul ;   um pessoal da UBE-São Paulo, como Fernando Coelho, Dalila Teles Veras e Antonio Possidônio Sampaio, que me acolheu em algumas reuniões; os paulistanos  Ramão Gomes Portão, Luiz Antonio Neto, o Luizão, da Folha de São Paulo, Renzo Mazzone, meu primeiro editor, Roberto Fontes Gomes, do jornal A Gazeta, que divulgou alguns poemas do livro na sua página literária, Álvaro Alves de Faria, que publicou notícia em suplemento do Diário de São Paulo; e, em Palmares,  Jessiva Sabino de Oliveira, diretora da Biblioteca Municipal Fenelon Barreto, Eliseu Pereira de Melo, vice-prefeito na época, Afonso Paulo Lins, chefe de gabinete do prefeito Milton D'Emery; e, no Recife, o pintor e poeta Montez Magno que, posteriormente, num escrito sobre o "Americanto" que ele me presenteou,  enfatizou  que a  miinha poesia tinha começado por onde a de muita gente termina...; e a publicação de uma reportagem,  ocupando meia página do Jornal do Commercio,  de autoria do jornalista e escritor Héber Fonseca. 

     Mas o papel mais radical mesmo eu tive de assumir quando passei a divulgar o meu discurso nordestino/brasileiro urbano, meu brasilês (e não português!), e mandei hermetismos e experimentações à merda ! Era a hora do "Americanto Amar América" e dos versos do folheto, da minha literatura em cordel, "Um doido e a maldição da lucidez."   (JUAREIZ CORREYA )





 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

MEU PRIMEIRO LIVRO PUBLICADO : ´sem título (sem capa), anti-discursivo, hermético, experimental







       "Não incluí, nesta reunião, os 40 poemas do meu primeiro livro de poesia, sem título, publicado em São Paulo no ano de 1971 (...)  O meu livro de estréia está ausente porque o considero, hoje, pelo seu hermetismo experimental, bastante distanciado do que acredito ser a poesia que escrevo... (transcrito da apresentação do meu livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, Panamerica Nordestal, Recife,. PE, 2010)

     São exatos 39  anos de distância, do primeiro para o livro mais recente citado (não o último!) e que registra, por coincidência, 40 anos da minha poesia publicada.  Distância mais claramente distinta não pode existir na vida de um autor : o meu nome (juarez b. correia) em letras pretas, minúsculas, impresso sobre um branco omo total na capa; o AMERICANTO tem capa com desenhos, nome e título em branco vazado sobre um belo vermelho-vinho com leve e quase imperceptível mancha azul, criada por João Guarani, meu segundo filho. 

     Meu primeiro livro foi composto em linotipo e impresso nas oficinas gráficas da Editora Cupolo (Rua Lopes de Oliveira, 303-315, Centro, São Paulo, SP), volume de 66 páginas, formato tradicional, contendo 40 poemas (dos quais 9 são refeitos/restruturados como se fossem outros textos...)  O primeiro poema do livro tem este título  - Dos Objetos Reunidos na Sala  :

imersos ana luz
Cobrindo seus contornos 
Instauram sua mudez
Cotidiana 

Nos rostos quietos 
O silencio gera 
Todas as coisas 
possiveis   


     E este é o título do poema que encerra o volume -  Vermelho Composição :

muralha movel 
magica 

(a muralha) musculos 
atravessados 
como face 


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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

MAIS CHUVA DE DEUS PRO SERTÃO





Deus, Pai Amigo Irmão
Escute mais a poesia e as canções rezadas 
Do povo da gente de fértil fé 
Dos poetas e artistas, de Lampião a Gonzagão :


FAÇA CHOVER NA CIDADE
E MANDE MAIS CHUVA PRO SERTÃO !



Juareiz Correya

(Santo Amaro, Recife  /
 em chuvoso 9 de novembro / 2012)