domingo, 20 de dezembro de 2015

LEMBRANÇAS DO MEU PAI (em companhia de José Terra e João Guarani)






      Sexta-feira passada (18/12), à tardinha, me encontrei com José Terra e João Guarani, meus filhos, no bar/restaurante Casa da Moeda (Rua da Moeda - Recife Antigo) e a conversa rolou naturalmente sobre Mestre Biu Alfaiate, meu pai, que eles conheceram, muito bem em convívio na casa 1710 da Praça da Luz, no centro de Palmares, onde vivemos todos, em tempos diversos, na companhia dele e de Mãe Carminha.  Era dia do seu aniversário - se estivesse vivo completaria 85 anos -, e véspera do aniversário de José Terra.  Meu pai era avô e foi meio-pai deles, crianças e adolescentes.  José Terra e João Guarani viveram em Palmares, com os meus pais, até os 17, 18 anos...E vieram, depois, morar comigo, no Recife, vendo também com a mãe, Solange, em Olinda.  

      As minhas e as lembranças deles sobre os meus pais são sempre boas.  Pai Biu, como eles chamam, deixou marcas e referências positivas na vida deles, em Palmares, e eles têm o prazer de lembrá-lo como podemos lembrar um velho amigo. Lamentamos, é claro, a aventura infeliz que foi o seu desperdício do dinheiro ganho com o Talão da Fortuna, do Governo de Pernambuco (bem antes do nascimento deles), a pouca condição do meu pai crescer profissionalmente, embora muito respeitado, e a sua dedicação a todos os que viviam na casa 1710 da Praça da Luz - mulher, filhos, filhas e netos.  José Terra e João Guarani lembram muito bem, e sempre, o seu amor pelo futebol, a sua admiração pelo Náutico (os dois são hoje torcedores dos Aflitos até a Arena Pernambuco), o seu jeito de amar e "brigar" por Porto Calvo (onde nasceu) e Alagoas...

     Entre outros acontecimentos relevantes dele na minha lembrança, faço questão de destacar o seu jeito de cantar bem, à moda de Nelson Gonçalves, sambas e boleros que eu não esqueço, e se ainda os escuto hoje é por causa dele, e um comportamento elegante, de marcante personalidade, diante da figura da Mulher (de qualquer mulher), que me serviu de exemplo, desde a minha adolescência : mulherengo como ele era, quem o conheceu em Palmares sabe disso, ele provava o quanto era também Mestre na vida, quando, em conversa com amigos (e a maioria dos homens, juntos, tem sempre o gosto metido a besta de contar vantagens sobre as mulheres, em namoros, conquistas, aventuras), enquanto um e outro contava suas pegações e exibições do donjuanismo caboclo de cada geração, pude constatar que o meu pai não dizia nada sobre mulheres.  Não se referia a nada que pudesse ter acontecido entre ele e alguma mulher, da boca dele não saía o nome de qualquer mulher com quem ele teve ou tinha alguma relação.  Na verdade, quando a conversa era sobre mulher, ele, ou mudava de assunto ou silenciava.  O homem era um mistério inabalável e, nessa matéria, ganhava para qualquer mineiro...  Quando lembro esse comportamento do meu pai, que é raríssimo no homem brasileiro, penso logo nestes versos que escrevi, certo dia - "melhor que morrer é viver / ter seu mistério / ter sua linha..."  Um homem que se comporta assim, diante da Mulher, me orienta sempre na vida e faz dele o meu modelo de herói.  - JUAREIZ CORREYA

(Recife, 20 de dezembro/2015) 

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Do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

FESTA NA VÉSPERA DO DIA 8 DE "NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO" (PALMARES, PE)





PRAÇA DA LUZ
 (CENTRO - PALMARES - PE) 
Na calçada da casa (1710), onde a gente morava, 
sentada ao meu lado,  está a minha mãe (Carminha) 
e, de pé, camisa aberta, boné, o meu pai (Mestre Biu Alfaiate). 
Meu irmão Jamilton pode ser visto à minha direita, 
também sentado, com a filha Isolda ao colo; e, por trás dele, 
nosso amigo Valter Portela.  
A foto é de Givanilton Mendes (dezembro, 1984) 



Lembrança viva, nesta noite de hoje, de noites como a desta data, não muito distantes, em Palmares : eu me reunia, na Praça da Luz, centro da cidade, com os meus pais, meu irmão Jamilton, minhas irmãs Marinalva, Marinalda e Marly, minha companheira, os filhos pequenos José Terra e João Guarani, alguns amigos e suas companheiras, com comidas e bebidas, como se fosse motivo para festa (estávamos mesmo no dia da véspera da maior festa católica da cidade, a Festa do Dia 8 de Nossa Senhora da Conceição dos Montes), para lembrar uma noite igual a esta  em que fomos presos - eu, Jamilton, baleado no pé, na rua da Aurora, perto de casa. e Givanilton Mendes, amigo, fotógrafo e pai de família respeitado, mas preso arbitrariamente pela polícia civil do Estado quando participava de uma pequena confraternização, com os seus amigos, em um bar no Cantochão, à entrada da cidade... 

Havia motivo para fazer festa ? Muito mais do que a maior festa da cidade, no dia 8 de dezembro. Se não me falha a memória, na noite do dia 7 de dezembro de 1979, fomos presos em Palmares, levados para o DOPS, no Recife, e, depois de 3 dias dessa prisão arbritrária, "sem culpa nenhuma no cartório",  fomos libertados numa noite de segunda-feira (já era um 11 de dezembro), para reencontrar, em casa, na Praça da Luz, familiares, vizinhos, amigos e amigas. 
A liberdade é sempre motivo de festa. E essa festa é melhor ainda quando a liberdade vence a injustiça.  Esse era o motivo da nossa lembrança e da nossa festa, que durou vários anos, na calçada da casa dos meus pais, na Praça da Luz, centro de Palmares.  E que só acabou por causa do "encantamento" do nosso amigo Givanilton Mendes, quando ele  ainda era responsável pela Coordenadoria de Documentação da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho... 
(JUAREIZ CORREYA) 

sábado, 5 de dezembro de 2015

AMERICANTO AMAR AMÉRICA : Segunda edição do poema-título em livro lançado no Recife (1982)






AMERICANTO AMAR AMÉRICA
(capa), de Juareiz Correya. 



A segunda edição do poema Americanto Amar América  foi lançada no Recife (PE), no ano de 1982, pela Nordestal Editora.  A capa é do artista plástico pernambucano Sílvio Malinconico, com fotografia. também na contracapa, da universitária (UFPE) paulista Sílvia Helena Levy e posfácio de Jaci Bezerra. Composição de textos por Maria do Carmo Oliveira, em forma composer, com arte-final de Jerônimo Netto e supervisão gráfica de Ednaldo Gomes de Melo, Amarino Martins, Arnaldo Tobias e Sílvio Bentzen.  Impressão e acabamento na Gráfica da Editora Massangana / Fundação Joaquim Nabuco, Recife, PE.  Livro de 80 páginas, formato 14 x 21 cms., em tiragem de 1.000 exemplares.  

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NOTA DA EDIÇÃO SOBRE "OUTROS POEMAS" : 
Juareiz Correya publicou, em 1975, o livreto Americanto Amar América & 
Outros Poemas, 24 páginas, impresso em tipografia (Gráfica Garcia, Catende, PE). 
O volume reunia o "Americanto" e estes outros poemas : "Oração de Narciso", 
(sem título), "Cantiga ao redor do teu seio",  "Toma (Cântico para Joelina"), 
"Poema para Léa",  "Canção para meninas" e "Uma fazenda no Éden ?". 
Excetuando "Pluft", "Ponte sobre águas turvas", "Do desamor berrante", 
"Canção" e "Passagem na ponte", que foram incluídos na micro-antologia 
Recity Recife. publicada pela Casa da Cultura de Pernambuco, em 1976, 
os outros poemas que completam esta parte da edição, são inéditos em livro. 

"Poema para Léa" foi musicado e gravado por Paulo Diniz (LP "Estradas", 
Emi-Odeon, Rio, 1977), com arranjos de João Donato, e gravado por 
Wanderlea (LP "Vamos que eu já vou",  Emi-Odeon, Rio, 1977) 
com arranjos de Egberto Gismonti.