terça-feira, 24 de janeiro de 2012

POESIA VIVA DE SÃO PAULO : Uma homenagem que não tem idade

Nos seus 458 anos completados neste dia 25 de janeiro, a Cidade de São Paulo merece todas as festas dos paulistanos, dos paulistas, e de todo o povo brasileiro. Festejar o seu aniversário orgulha, naturalmente, qualquer cidadão deste País, e, acredito que, em geral, toda a América do Sul saberá, a seu modo, fazer isso.

Conheci São Paulo nos meus 18 anos de idade e já estamos, agora, com mais de 40 anos de convivência (de perto, de dentro, de longe, de fora...) Conheci a cidade (antipoética ? antimusical ?) pela sua Poesia, pela voz dos seus poetas, ciceroneado, de chegada, pelo poeta e jornalista Ramão Gomes Portão e pelo poeta e editor paulistano Renzo Mazzone. Foram os tempos da minha primeira aventura editorial com a poesia, publicado nas páginas das antologias da série Poetas da Cidade , da Editora ILA Palma. Depois, trânsito livre em Santo André, encontros com Fausto Polesi e o seu "Diário do Grande ABC", a UBE do centro de São Paulo, Caio Porfírio Carneiro, Henrique L. Alves, Alberto Beuttenmuller, Álvaro Alves de Faria, Antonio Possidonio Sampaio, Fernando Coelho, Dalila Teles Veras...

Devo a São Paulo uma parte essencial da minha poesia. Lá escrevi, há exatos 40 anos, o meu poema AMERICANTO AMAR AMÉRICA, que é definitivo na minha vida, independente do seu valor (se tem ou não), ou se é apenas um poema e se isto não quer dizer nada. Para mim, diz tudo, e eu não escondo de ninguém que me bastaria apenas ter escrito esse poema que valeria a pena ter me dedicado, até hoje, à criação de alguma poesia.

E por gratidão a São Paulo - embora tenha sido, em alguns versos que publiquei, extremamente duro e ácido com a cidade - penso e tenho trabalhado, sempre que posso, para relevar a cidade, sobretudo no que ela tem de grandemente rico, e ainda pouco valorizado, que é a poesia produzida pelos seus poetas. Por força disso, organizei com a poetisa Dalila Teles Veras (diretora da Livraria Alpharrabio, de Santo André), a antologia POESIA VIVA DE SÃO PAULO - reunião de textos publicados sobre a cidade por mais de 80 poetas paulistas contemporâneos. Devidamente atualizada ao longo dos últimos 30 anos, esta antologia será publicada, em 2 volumes (2 ebooks), pela Panamerica Nordestal Editora, do Recife, em parceria com uma instituição cultural paulistana, no próximo aniversário da cidade. É a poesia de São Paulo viva, além do plano físico do livro, na indimensionável amplidão da rede mundial de computadores. - JUAREIZ CORREYA (Recife, janeiro de 2012)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

SOBREVIVENDO NESTE SÉCULO 21 : "60 SETEMBROS" EM 2011

Mariama, minha filha, me visitou no apartamento onde vivo, em companhia de Márcia, no centro do Recife, e, como sempre, conversamos sobre os nossos trabalhos e projetos; ela é profissionalmente objetiva e muito me agrada a sua liberdade e independência. Invejo o homem que tem o privilégio de merecer o seu coração.

Setembro está chegando... lembro os meus 60 anos e ela me adianta este comentário de sua mãe, Djane, com quem ela vive em Olinda, sobre a minha nova idade que se aproxima :

- E o teu pai não vai publicar nenhum livro não ? Se ele não lançar um livro, não é aniversário dele !

Rimos à vontade e eu não adiantei nada do que já pensava. Mas fiquei realmente convencido do que devia fazer e, para vencer o prazo de umas três semans, "o tempo rugia".

Gosto mais de presentear do que ser presenteado. Agora, com os meus redondíssimos 60 anos, não deveria ser diferente. Tinha de trabalhar rápido para organizar o meu segundo ebook a ser publicado no ano. Mesmo em PDF (um formato que, bem comparando, é uma espécie de publicação tipográfica, um tipo de livro artesanal), é um ebook, como os milhares já lançados e distribuídos, promocional e comercialmente, que existem pelo mundo afora.

Arquitetei tudo com João Guarani, meu segundo filho e parceiro dos projetos eletrônicos desenvolvidos com a nossa Panamerica Nordestal : adiantei a coordenação dos meus textos (poemas e poemetos escritos e publicados até agosto) e de uma seção com poemas já publicados de conhecidos e amigos sobre o meu trabalho com a poesia,selecionei opiniões, elaborei a nota biobibliográfica, idealizei a fotografia da capa e da contracapa... No domingo próximo, com José Terra, meu primeiro filho, e Pedro Poema, filho dele e meu primeiro neto, "pintou" a fotografia da capa, feita em um celular, num instantâneo feliz de Pedro Poema, nos seus 6 anos inquietos e de iniciante visão do mundo.

Exatamente no dia 19 de setembro "lancei" o meu novo livro, meu segundo ebook, intitulado 60 SETEMBROS (Poemas de 2011).

(Juareiz Correya)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

SOBREVIVENDO NESTE SÉCULO 21 : "2011 - O Primeiro Ano da Segunda Década" (2)

Ainda no primeiro semestre do ano, perdi dois amigos - Luiz Carlos Monteiro e Jailson Marroquim -, dois poetas, duas perdas para Pernambuco e, particularmente, para Sertânia (terra natal de Luiz Carlos Monteiro) e para o Recife (onde, em Casa Amarela, nasceu Jailson Marroquim). Eu estava organizando, com Jailson Marroquim, para publicação ainda nesse ano, ou em 2012, um pequeno livro que reuniria 21 poemetos de sua autoria e 21 poemetos de minha autoria. A idéia de Jailson era de publicação de um livro de bolso intitulado CORAÇÃO DIGITAL (ou CORAÇÕES DIGITAIS, o dele, o meu...), logicamente inspirado no meu CORAÇÃO PORTÁTIL. Eu pensava mesmo na edição de um ebook e Jailson - embora sem dar muito crédito a Internet, ele só acreditava no texto impresso e na apresentação ao vivo da poesia, em recitais abertos... - se animava também com esta ideia. Tudo bem. E, em junho, duas semanas após um encontro no apartamento onde vivo, no centro do Recife, quando ele me trouxe os seus poemetos para que eu iniciasse a organização/digitação do livro, ele se encantou : morte súbita, enfarte fulminante. Partiu ainda jovem, cheio de vida e de projetos, aos 57 anos de idade. Era um parceiro de primeira hora em todos as atividades da nossa Panamerica Nordestal, sempre pronto a colaborar com o que eu promovia no Recife. Tenho uma dívida com Jailson Marroquim e a sua poesia que espero saldar, em breve, publicando um ebook com a sua poesia reunida.

Luiz Carlos Monteiro era um amigo que me acompanhava e eu o acompanhava a uma pequena distância. Ele respeitava o meu trabalho e eu o respeitava e o incentivava como podia. Ainda cheguei a animá-lo para que publicasse os seus textos críticos reunidos - já divulgados na Revista CONTINENTE e no Suplemento Literário do "Diário Oficial" de Pernambuco - em um livro que ele, motivado, me informou ter organizado e que já mantinha alguns entendimentos para viabilizar a sua publicação. Poeta, jornalista, professor universitário e crítico ativo, ele se encantou (por infelicidade dos problemas causados pelo consumo de álcool) quando visitava, em férias, a sua Sertânia. O álcool que consumia, como um bom boêmio sertanejo, o consumiu com 51 anos de idade.
(Juareiz Correya)

domingo, 1 de janeiro de 2012

SOBREVIVENDO NESTE SÉCULO 21 : "2011 - O Primeiro Ano da Década"

Publiquei neste blog, de janeiro (dia 29) a março (dia 14), cinco textos com este título geral - SOBREVIVENDO NESTE SÉCULO 21 -, conjunto encerrado com um texto sub-intitulado de "O Último Ano da Década", e este registro no final :

Sexta-feira, 31 de dezembro :
Era o fim da década. Não era o meu fim.



Semanas depois (10/abril), publiquei o texto "2011 : UM ANO POSITIVO E PROMISSOR", onde fiz questão de registrar que, após a operação do meu rim direito, então completamente danificado, realizada pelo urologista pernambucano Tibério Moreno Siqueira Júnior, no Hospital Memorial São José (Derby, Recife), eu me sentia com o "corpo novo, vida nova". E de lembrar o lançamento do meu ebook CORAÇÃO PORTÁTIL, pela Emooby / Pubooteca, de Portugal, coincidentemente no mesmo dia em que foi realizada essa operação do meu rim direito (29 de março). Tive a condição de afirmar que o lançamento desse ebook, para mim, abria "as portas de um universo inteiramente novo para a minha poesia, o que é significativamente positivo e uma promessa de mais futuro para a minha vida."


Não tem erro. Sinto o que penso e penso o que sinto. Esta é uma convicção dos que acreditam na Poesia.


Seguindo em frente : em maio (dia 9), exatamente no dia do 126o. aniversário de nascimento do poeta pernambucano Ascenso Ferreira, tive a alegria de promover o lançamento, na Internet, do site da Panamerica Nordestal Editora e Produções Culturais - http://www.panamerica.net.br - , contando, como parceiros, com o meu filho João Guarani (webmaster) e com o meu amigo argentino Daniel Oscar Panno (webdesigner). Era a minha segunda grande alegria do ano. (Juareiz Correya)

AOS HOMENS

As mulheres não entram na tua vida,
como um raio de sol,
um acontecimento inesperado,
uma pedrada.
Já pertencem a ela, integram a tua vida
como o teu sangue, tua naturalidade,
tua terra.
Elas não são parte do teu destino
como uma dádiva de Deus.
As mulheres são o que tu crias
e a perfeição humana
do teu barro.
Existem como encanto e tragédia
e jamais viverás
sem que elas respirem
e te pronunciem.


Teu nome só existe
porque a mulher te identifica.



(Palmares, junho / 2004)