segunda-feira, 30 de agosto de 2010

POESIA VIVA

Para um poeta
toda mulher tem a sua beleza.
Até mesmo a que não é
uma Bruna Lombardi
- mais bela por dentro,
ou uma Patrícia Poeta
- mais poema que um nome.
Toda mulher tem a sua beleza
e o homem que a desperta
será para sempre o seu poeta.


(Recife, 30/agosto/2010).

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ANA ARRAES LEMBRA AS PERSEGUIÇÕES DA DITADURA MILITAR E DO PSDB AO GOVERNO DO SEU PAI

A deputada federal Ana Arraes (PSB-PE) publicou, no site oficial da sua campanha, um texto emocionado e comovente em homenagem ao seu saudoso pai, o eterno governador de Pernambuco ("A Presença de Miguel Arraes"). Com a política no sangue, a deputada Ana Arraes, mãe de outro sangue puro da política pernambucana - o atual governador Eduardo Campos, também candidato à reeleição - evoca o encantamento do seu pai, há 5 anos, quando teve a sensação de que "junto com ele tinha ido embora não apenas um pai, mas tudo o que ele representava para o povo pernambucano". Mas o tempo mostrou que ele se mantém vivo, com a herança das suas lições para a família e a sua marca que não se apaga nos corações e nas mentes da população pernambucana.

Ana Arraes lembra tudo isso em uma bela carta dirigida ao seu pai ("como se fosse possível voltar a sentar na rede do terraço da sua casa"). Na carta que dirige ao seu pai, com feminina e respeitosa ternura, eleva a sua voz para lembrar e denunciar as manobras sujas contra o seu terceiro governo e a "perseguição que lhe foi impingida pelos detentores do poder federal, apoiados pelos nossos adversários locais." (Trata-se da "já era" Fernando Henrique Cardoso, PSDB & Cia)

Ana Arraes, com lucidez e firmeza, lembra ao pai (e é lembrança que interessa a todo pernambucano) :

"Não posso esquecer da maneira como tais opositores trataram Pernambuco nas três vezes em que foi governador, retendo recursos, cortando qualquer possibilidade de grandes investimentos e montando um discurso em cima de mentiras. Graças à garra que tivemos e à vontade de fazer valer as necessidades do povo, pondo em prática os seus ensinamentos, superamos esse tempo. Trouxemos para cá tudo que você idealizou : estaleiros, refinaria de petróleo, inúmeras fábricas que se instalaram em Suape, um pólo farmacoquimico implantado em Goiana e realizamos a interiorização do desenvolvimento. Basta dizer que hoje temos 22 pólos industriais."



(Do site ANA ARRAES 4040 - Deputada Federal / Notícias
- http://www.anaarraes4040.com.br)

domingo, 22 de agosto de 2010

INFERNO DE AGOSTO

No inverno deste ano
Deus abandonou o Nordeste onde vivo
Abriram-se as portas do Céu do Inferno
O mundo se acabando
Em fogo frio de ventos
Chovendo ainda mais desgraças de agosto :
Cidades inteiras desabaram
Os rios não fecundaram a Vida
Seres humanos desapareceram como animais afogados
E sonhos faleceram na lama das águas
Caldeirão do futuro sem horizonte
- Só o cenário deserto da Terra devastada


No coração ferido do Nordeste
O sangue navega revoltoso implodindo
Ataques sistêmicos enfartes violentos pesadelos da Morte
Na alma do corpo abandonado
Sem poesia e sem Deus.


Juareiz Correya

(Recife, agosto / 2010)


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SOBREVIVENDO NESTE SÉCULO 21 (crônica)

Ao completar os meus 50 anos de idade, em 2001, publiquei em Palmares (PE), minha cidade natal, um livreto de poemas intitulado 50 SETEMBROS - Microantologia poética (Edição do autor, 16 páginas, 300 exemplares), toda a tiragem distribuida gratuitamente entre parentes, amigos e conhecidos. Eu dirigia, nesse tempo, nomeado pelo então prefeito Francisco de Assis Rodrigues, a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, da Prefeitura dos Palmares, criada com base em um projeto de minha autoria datado de 1983. Lembro um trecho da nota veiculada na antepenúltima página do livreto :

"Tenho ainda muita poesia e histórias para escrever e publicar e o coração, já abalado por um enfarte, cheio de sonhos imensos."

Saí de Palmares em dezembro de 2004. Contabilizando também os primeiros quatro anos (1984 a 1987) em que exerci a presidência da instituição palmarense, foram doze anos de trabalho e dedicação a um projeto em que eu acreditava e acredito até hoje. Tudo bendito (é uma dádiva todo trabalho realizado com fé) e bem documentado. Está lá, nos arquivos da instituição, provando que a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho é uma conquista cultural definitiva da região Mata Sul de Pernambuco nestes 26 anos de atividade ininterrupta.

Vivo no Recife, há 5 anos, com a tarefa de reconstruir a minha vida. Não me vanglorio por ainda estar vivo e continuar com forças para escrever e lutar pelos valores culturais pernambucanos e nordestinos (como prova o meu trabalho já realizado). Não produzo mais, embora tenha projetos prontos para isso, porque tenho as minhas limitações de toda desordem (saúde precária, nenhum dinheiro, pouco espaço para trabalhar e continuar dando a minha contribuição, como poeta e editor pernambucano, vendo este mundinho-velho-de-guerra pequeno e cada vez menor...)

Mas eu ainda tenho sorte - com uma pequena ajuda de amigos verdadeiros, como cantavam Lennon&McCartney - e de gente de primeiríssima qualidade que encontrei nos momentos mais difíceis desta primeira década do Século 21 : os amigos Leda Alves, viúva de Hermilo, e o cardiologista Hermilo Borba Neto, que me salvou e cuida do meu coração; a equipe profissionalíssima de médicos, enfermeiros e enfermeiras do Hospital Oswaldo Cruz,sob o comando do diretor Ênio Cantarelli, responsável pelo pronto restabelecimento da minha saúde, quando enfartei em junho/2000; o poeta e jornalista Flávio Chaves, que me convidou para participar da sua equipe na CEPE, onde ingressei em 2007; os que me ajudaram no Recife e em Olinda quando tive a saúde novamente abalada (uma severa pneumonia); o nefrologista Ruy Cavalcanti, que me orienta no tratamento dos meus problemas renais; o urologista Tibério Moreno de Siqueira Junior, que operou milagre em maio deste ano com a retirada do cálculo do meu rim esquerdo e que está empenhado para que eu tenha ainda uma vida normal aceitável; e, agora, de 11 a 16 de agosto, o neurologista Andore Guescel Asano, do Hospital De Ávila (Madalena, Recife), também empenhado, junto com o neuro-cirurgião Marcos Antonio Barbosa da Silva, no tratamento de um ataque isquêmico transitório. (Dr. Andore já me tratou em junho de 2009 e voltou agora a cuidar desse meu problema antes que se torne mais grave e se transforme num irreversível AVC). Já estou bem e em casa.

Por tudo isso me considero um homem de sorte e continuo sobrevivendo neste Século 21. E sonhando meus "sonhos imensos". Com os meus filhos, com uma companheira que caminha ao meu lado, parentes e conhecidos, alguns amigos de verdade que estão sempre presentes - como Leda Alves e a poetisa luso-brasileira Maria de Lourdes Hortas -, com os poetas e artistas que conheço, admiro e aplaudo "apenas com estas duas mãos" que tenho e o sentimento do mundo do meu coração com mais da metade do século da minha vida renascendo no sangue da poesia nossa de cada dia.


(Recife, 17 / agosto / 2010).

domingo, 8 de agosto de 2010

NOVO CORAÇÃO PORTÁTIL





Metade do século do meu coração
Comi e bebi sem medida
Fêmeas carnes etílicos ventos...
Quase me sufoquei com as próprias mãos.
Renascido neste novo milênio
Meu coração me faz ainda mais vivo :
Dias são anos que valem séculos
E ser apenas humano não me limita
(mesmo que os estragos do corpo
me façam mais limitado do que os outros).
Meu coração ainda fala e grita
O sangue das suas palavras
Assim me injeto na corrente do tempo
E inscrevo o instantâneo presente
Em todas as horas dos dias eternos.




Juareiz Correya
Recife, 8 / agosto / 2010.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O GINÁSIO MUNICIPAL DOS PALMARES NO CORAÇÃO DE UM ESTUDANTE

Conheci o Ginásio Municipal Agamenon Magalhães, de Palmares (PE),em 1959, aos 8 anos de idade, no segundo ano do curso primário; em 1967, aos 16 anos de idade, concluí nessa escola o Curso Ginasial.
Costumo dizer, em encontros com amigos, estudantes e professores, que o Ginásio Municipal dos Palmares foi a única escola da minha vida. Verdade : concluído o ginasial, estudei, no ano seguinte, no então Colégio Costa Azevedo, durante 6 meses, e deixei o Curso Técnico de Contabilidade mal iniciado porque não tinha condições de pagar as mensalidades. O abandono dos números, da ciência contábil, me fez um bem danado : eu já tinha descoberto que as palavras eram mais mágicas do que os números, no último ano do Ginásio Municipal, e mergulhei de corpo e alma no rio da poesia delas em Palmares e logo depois em São Paulo.
Não sou saudosista, não suspiro pelo passado nem me alimento como um ruminante dos seus vidros moidos. Mas eu estou vivo com a minha memória, tenho condição de escrever e sei que nos meus escritos - bem ou mal - "prolongo o tempo do esquecimento", como afirmou Hermilo Borba Filho sobre os seus livros de ficção (quase todos vivenciados em Palmares).
Me lembro do Ginásio Municipal dos Palmares com o meu coração de menino e de adolescente : da professora do primário, Eliete Guerra, dos diretores e professores do curso ginasial - Brivaldo Leão, Laércio Duá Pacheco, Douglas Marques, Amaro Matias, Lúcia, Jarlan, Joab, Maria Francisca, Edson Matos, Elias Sabino, Aristeu Tavares, José da Justa. E me lembro dos estudantes das turmas desse tempo ginasiano, alguns mais próximos outros à distância (como a maioria feminina, que eu era tímido e arredio): Everaldo, Valdir, Paulo de Joaquim Nabuco, Laudenor Berto, Antonio Maromba, os irmãos Juarez, Jarbas e Jorge Veloso, "Bala" Agrelli, Érico, Sóstenes, Antonio Sérgio, Eniel Sabino, a minha irmã Maura, Iolita, Gessy, Vasty, Eva, Eliane, Elienai, Célia, Maria de Xexéu e Hilda (minha primeira namorada, uma inesquecível história à parte).
Me mantive o quanto pude, mesmo sem vida de estudante, bem próximo do Ginásio Municipal dos Palmares. Voltei a ele em alguns escritos (contos inéditos), voltei todos os dias, ainda vivendo com os meus pais e irmãos na Praça da Luz, voltei com a infância e adolescência dos meus filhos José Terra e João Guarani, que iniciaram os seus estudos no Ginásio Municipal (já então rebatizado como "Escola Fernando Augusto Pinto Ribeiro"); e voltei a conviver com ele, durante 12 anos, quando presidi a Fundação Hermilo Borba Filho e realizamos algumas atividades culturais com estudantes palmarenses.

O Ginásio Municipal dos Palmares ressurge para mim, ainda mais vivo, agora que é só escombros, destruído pelas águas revoltas do seu Rio Una na enchente de junho que transformou a cidade em um "pesadelo fluvial".
E este não é tempo de choro nem de vela.
Palmares precisa ser reconstruída com o esforço e o trabalho sem tamanho dos que nela vivem hoje e com a colaboração e solidariedade dos seus filhos e amigos que vivem em outros lugares e podem participar também da sua histórica reconstrução.
Todos os dias renascemos, sabem os que amam a vida. O que Palmares construiu é indestrutível. O Ginásio Municipal dos Palmares (é esta a sua identidade nos corações de todos os seus estudantes) voltará a irradiar a sua luz no dia-a-dia do processo educacional palmarense. E a iluminar o futuro, a "cultura e a grandeza" da Terra dos Poetas. (JUAREIZ CORREYA)