quarta-feira, 28 de julho de 2010

OUTRO VERSÍCULO

"Onde estiver o teu tesouro..."
(MATEUS, Cap. 6, Vers. 21)


Guarda contigo esta certeza :
Onde estiver o teu coração
Estará também a tua riqueza.



(Recife, julho / 2010)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

"PALAVRA" DE ESCRITOR

Escrevo, há vários anos, e tenho alguns livros publicados. Minha filha, 4 anos, foi passar férias na casa de uma tia, em Campina Grande (PB) e, à mesa, pediu :
- Tia, me dê um "faco".
A tia, atenta, corrigiu :
- Mariama, a palavra certa é "faca".
Ela respondeu :
- Pensa que eu não sei ? Eu sou filha de escritor...



(do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PALMARES - UMA NOVA CIDADE

No mês em que completou 131 anos de emancipação municipal - comemorado no dia 9 de junho deste ano -, a Cidade dos Palmares, principal núcleo urbano da Região Mata Sul de Pernambuco, foi praticamente devorada pela fúria das águas revoltas do seu Rio Una, que, com outros rios, riachos e lagoas da região, tornou-se um mar dantesco e destruidor. Um "pesadelo fluvial", como pensou Hermilo Borba Filho intitular o seu romance MARGEM DAS LEMBRANÇAS. Junto com Palmares, 23 municípios da Região da Mata, 10 do Agreste e 5 do Grande Recife - sentiram a força tsunâmica das águas que inundaram Pernambuco e Alagoas, do dia 18 ao dia 20 do inverno do mês passado, e estão em situação de emergência ou calamidade pública.

Grande parte da área edificada da Cidade dos Palmares foi destruída, e, dessa área, o que restou de pé, está irremediavelmente condenado, como espaço residencial, comercial e até industrial. Palmares não é e não será mais a mesma. Sabem disso, conscientemente responsáveis, os Governos Federal e Estadual, como foi documentado com as presenças solidárias do Presidente Lula e do Governador Eduardo Campos. E com os depoimentos e suas ações urgentes, imediatas, e programadas para o futuro. E caberá ao atual Prefeito - Sr. José Bartolomeu de Almeida Melo, o popular Beto - a responsabilidade maior de reordenar e conduzir todo o imenso trabalho de reconstrução e renascimento da heróica e histórica Palmares.

O Governador Eduardo Campos declarou muito bem : "Não haverá dinheiro público para reconstrução de casas em áreas de risco." O município de Gameleira, também drasticamente atingido pela enchente de junho, já decidiu, exemplarmente, transformar toda a área da cidade que margeia o Rio Sirinhaém em um parque ecológico. É exemplo a ser seguido pelos outros municípios da região e sobretudo por Palmares. As margens do Rio Una - da antiga Usina 13 de Maio até o bairro de Santa Rosa e ponte nova da duplicação da BR-101 - devem se transformar num imenso e aprazível parque ecológico e sítio de reflorestamento da Mata Atlântica.

E, para que a própria Prefeitura dos Palmares dê o seu exemplo - diante da iminente condenação do seu edifício sede -, a administração municipal pode muito bem ser transferida para um espaço que norteará o renascimento e a retomada do desenvolvimento urbano da cidade : instalada no antigo edifício do escritório central da Great Western / Rede Ferroviária do Nordeste, no bairro de Santa Luzia, à entrada da cidade. A ser restaurado e redimensionado para esse fim, o edifício - parte do conjunto do parque ferroviário já preservado pela Prefeitura Municipal dos Palmares - integra um amplo projeto iniciado, em 2003, pela FIDEM/FUNDARPE/GOVERNO DE PERNAMBUCO, com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco e do Ministério da Cultura : o Projeto de Preservação do Patrimônio Ferroviário de Pernambuco. A antiga Estação Ferroviária, por exemplo, transformada em Estação Cultural dos Palmares, da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, já integra esse projeto estadual desde o ano de 2003.

Uma Nova Palmares, uma Cidade Alta, uma Palmares do Futuro nascerá.


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Artigo publicado também no blog ANOTICIA
(http://www.jornaldanoticia.blogspot.com)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

RIO UNA (PALMARES)




da janela do hotel
vejo o rio
Una Una negro negro
refletindo verdes
terras canaviais montes


o rio se move
e as águas parecem paradas
passantes ? errantes ?
e o céu não tem
no sol da tarde
o mesmo brilho do seu leito


o rio não passa
não vai a lugar nenhum
o rio fixa-se no corpo da cidade
como um colar
enfeitado pelo seu colo
cobra coleando os limites urbanos
além do tempo
além da vida



Palmares, 12/maio/2002.


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Transcrito do blog
POESIA VIVA DA CIDADE
(http://www.jcorreya.blog-se.com.br)