terça-feira, 12 de julho de 2011

QUANDO CHOVE SOBRE ATLÂNTICA

Quando chove sobre Atlântica
Parece que nunca mais veremos o Sol
Somos a humilde erva
O assustado mamífero
O animal sem abrigo
Que a senzala a casa grande a caverna de vidro do apartamento
Expõe aos ventos e aos castigos do vendaval
Como uma criatura perdida de Deus
Apenas vítima do medo sem fim


Quando chove sobre Atlântica
A terra é um rio no lugar da cidade
Um mar que não alimenta e não alegra o coração
Um tempo sem mais estações
Como se o dia não existisse
E a noite nublasse para sempre a luz




(Santo Amaro, Recife,
12/julho/2011)

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