domingo, 5 de agosto de 2012

A CLARA HISTÓRIA DE PRETA (Ficção política de verdade)




........................................................

      (...) Isso decidido, todos sabiam o que fazer. Preta, na hora e sempre, era pra falar, aparecer no momento certo e preciso. O  resto, e o destino de tudo, era, pensassem bem, com o pessoal das comissões.  A batalha ia começar e ser sempre. Se Preta não ganhasse não valia. 

     O "partido pretista" entrou em ação.

     Na terça-feira, dia do comício da Vila da Cohab, no Bairro Modelo, Jamilton e Goia passaram a manhã inteira na Praça da Luz, quartel-general do partido pretista, pintando faixas, bandeirinhas, bandeirolas, bandeiras e bandeirões, folhas de papel riscadas com o número de preta - 414  - ajudsdos por alguns garotos das ruas vizinhas, empolgados e metidos nos preparativos da campanha. A partir das duas horas da tarde a kombi arranjada por Ênio, com o serviço de som montado por Eduardo Priquitinha, passou a circular pelas ruas da cidade, com a locução vibrante de Fernando Pinrra :

     "Hoje, mais uma vez, vamos ouvir a palavra corajosa, sem ódio e sem medo, do candidato a vereador que já é uma sensação na cidade : Amaro Pedrosa de Melo, Preta ! O popularíssimo Preta estará falando mais uma vez toda a verdade, defendo o povo, combatendo a corrupção e o abandono da nossa cidade ! Sem ódio e sem medo, Preta vai falar hoje, na Vila da Cohab, a partir das 8 horas da noite.  Hoje, mais um sensacional comício de Preta, Preta, Preta ! o candidato do povo que diz a verdade, na campanha do tostão contra o milhão ! A situação é preta, vote sem medo de errar : vote em Amaro Pedrosa de Melo, o popularíssimo Preta ! Vote no número 414 - o número mais doce da cidade !"

     Depois vinha o som dos Novos Baianos, sacado para realçar ainda mais a qualidade de comunicação dos pretistas :



"Preta, preta, pretinha,
Preta, preta, pretinha..."


___________________________________________________________

Transcrito da novela A CLARA HISTÓRIA DE PRETA
(Ficção política de verdade),
de Juareiz Correya 
- Edições Pirata, Recife, PE, 1982



Nenhum comentário:

Postar um comentário