quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SOBREVIVENDO NESTE SÉCULO 21 (crônica)

Ao completar os meus 50 anos de idade, em 2001, publiquei em Palmares (PE), minha cidade natal, um livreto de poemas intitulado 50 SETEMBROS - Microantologia poética (Edição do autor, 16 páginas, 300 exemplares), toda a tiragem distribuida gratuitamente entre parentes, amigos e conhecidos. Eu dirigia, nesse tempo, nomeado pelo então prefeito Francisco de Assis Rodrigues, a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, da Prefeitura dos Palmares, criada com base em um projeto de minha autoria datado de 1983. Lembro um trecho da nota veiculada na antepenúltima página do livreto :

"Tenho ainda muita poesia e histórias para escrever e publicar e o coração, já abalado por um enfarte, cheio de sonhos imensos."

Saí de Palmares em dezembro de 2004. Contabilizando também os primeiros quatro anos (1984 a 1987) em que exerci a presidência da instituição palmarense, foram doze anos de trabalho e dedicação a um projeto em que eu acreditava e acredito até hoje. Tudo bendito (é uma dádiva todo trabalho realizado com fé) e bem documentado. Está lá, nos arquivos da instituição, provando que a Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho é uma conquista cultural definitiva da região Mata Sul de Pernambuco nestes 26 anos de atividade ininterrupta.

Vivo no Recife, há 5 anos, com a tarefa de reconstruir a minha vida. Não me vanglorio por ainda estar vivo e continuar com forças para escrever e lutar pelos valores culturais pernambucanos e nordestinos (como prova o meu trabalho já realizado). Não produzo mais, embora tenha projetos prontos para isso, porque tenho as minhas limitações de toda desordem (saúde precária, nenhum dinheiro, pouco espaço para trabalhar e continuar dando a minha contribuição, como poeta e editor pernambucano, vendo este mundinho-velho-de-guerra pequeno e cada vez menor...)

Mas eu ainda tenho sorte - com uma pequena ajuda de amigos verdadeiros, como cantavam Lennon&McCartney - e de gente de primeiríssima qualidade que encontrei nos momentos mais difíceis desta primeira década do Século 21 : os amigos Leda Alves, viúva de Hermilo, e o cardiologista Hermilo Borba Neto, que me salvou e cuida do meu coração; a equipe profissionalíssima de médicos, enfermeiros e enfermeiras do Hospital Oswaldo Cruz,sob o comando do diretor Ênio Cantarelli, responsável pelo pronto restabelecimento da minha saúde, quando enfartei em junho/2000; o poeta e jornalista Flávio Chaves, que me convidou para participar da sua equipe na CEPE, onde ingressei em 2007; os que me ajudaram no Recife e em Olinda quando tive a saúde novamente abalada (uma severa pneumonia); o nefrologista Ruy Cavalcanti, que me orienta no tratamento dos meus problemas renais; o urologista Tibério Moreno de Siqueira Junior, que operou milagre em maio deste ano com a retirada do cálculo do meu rim esquerdo e que está empenhado para que eu tenha ainda uma vida normal aceitável; e, agora, de 11 a 16 de agosto, o neurologista Andore Guescel Asano, do Hospital De Ávila (Madalena, Recife), também empenhado, junto com o neuro-cirurgião Marcos Antonio Barbosa da Silva, no tratamento de um ataque isquêmico transitório. (Dr. Andore já me tratou em junho de 2009 e voltou agora a cuidar desse meu problema antes que se torne mais grave e se transforme num irreversível AVC). Já estou bem e em casa.

Por tudo isso me considero um homem de sorte e continuo sobrevivendo neste Século 21. E sonhando meus "sonhos imensos". Com os meus filhos, com uma companheira que caminha ao meu lado, parentes e conhecidos, alguns amigos de verdade que estão sempre presentes - como Leda Alves e a poetisa luso-brasileira Maria de Lourdes Hortas -, com os poetas e artistas que conheço, admiro e aplaudo "apenas com estas duas mãos" que tenho e o sentimento do mundo do meu coração com mais da metade do século da minha vida renascendo no sangue da poesia nossa de cada dia.


(Recife, 17 / agosto / 2010).

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