domingo, 7 de novembro de 2010

NOTURNO DAS CIDADES GRANDES

As cidades grandes não dormem
Sonham de olhos abertos
No desassossego dos hospitais
Na prontidão dos garis das prefeituras
Garimpando o lixo interminável de todos
Nos ônibus e táxis dos notívagos
E dos empregos de exércitos de zumbis
Fazendo da meia-noite o seu meio-dia
Nas mesas postas dos restaurantes e bares
Abertos 24 horas como quem morre se parar
Nos meretrícios oficiais e nos puteiros clandestinos
Na vigília dos ladrões e dos filhos dos trapos humanos
Infernizando as praças drogando seus futuros
E na alegria infinita dos encontros dos amantes
- Arte do destino para que a vida sempre amanheça



(Recife, 21/outubro/2010)

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