quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A CIDADE DE FERVORES E FREVODORES





para o poeta Jaci Bezerra


A cidade ferve. A cidade fede.
Ruas músicas praças cores
sóis luzes odores
eu te sinto e me extasia esta agonia,
Recife,
cidade onde me quero e me conheço.
Melhor do que ninguém eu sou,
melhor por ti eu sou,
e sinto, quando me emputeço,
que não me mereces nem te mereço.
Sempre te conheço, ao sol, à lua,
por dentro de ti me adentro,
não posso calar, não sei de silêncio,
não falas - te falo
te calas - não calo
eu grito teus gritos, teu dia, tua festa,
cidade amorosa,
tão nua, tão minha, tão pobre,
tão de felicidade incerta.  

Recife, Recife,
te dizem anfíbia e não te sabem hermafrodita.
Terra e mar, lama e sangue, mangue,
mulher e homem tu és a um só tempo
e perpetuas a minha humanidade
no homem que eu sou e amo,
na mulher que eu amo e sou.
Sobre os teus rios masculinos
pontes fêmeas se estendem
e a vida, passageira, temporária,
em nós ferve - odores
freve - fedores
e transfigura
tudo o que tu bumbas pastorizas
caboclinhas maracatuzas e carnavalizas  



(Do livro inédito AMAR RECIFE) 

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